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Longas filas nos postos de gasolina do Irã após anúncio de novas sanções dos EUA
Os iranianos acordaram, nesta terça-feira (25), preocupados com as consequências das novas sanções anunciadas na véspera pelos Estados Unidos, que prometeram "asfixiar" economicamente o país, enquanto longas filas se formavam nos postos de gasolina.
Os Estados Unidos buscam pressionar economicamente o Irã depois que, quase seis meses após o início da guerra desencadeada por Washington, as negociações de paz ficaram paralisadas, sem perspectiva de fim para o conflito.
Enquanto isso, o Irã mantém fechado o estratégico Estreito de Ormuz, e os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval contra a República Islâmica.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira um plano para promover a "asfixia econômica" do Irã e advertiu sobre graves consequências para os países que se recusarem a aderir à campanha de Washington.
Os dirigentes iranianos minimizaram as consequências para um país submetido a sanções há décadas, mas alguns moradores da capital, Teerã, já temem o impacto econômico.
"É lógico que as sanções afetem a vida das pessoas. Há pessoas sofrendo, tanto as que têm uma boa situação econômica quanto as que têm menos recursos", afirmou Mehdi Yazdian, um corretor de imóveis de 55 anos, que pediu às autoridades que controlem os preços.
Para Yazdian, as restrições estão surtindo efeito, mas a população iraniana é "resiliente".
"Essas sanções estão em vigor há 47 anos", acrescentou.
O Irã já enfrentava uma inflação muito elevada antes da guerra, um dos fatores que impulsionaram a onda de protestos contra o governo que atingiu seu auge em janeiro.
O governo respondeu às manifestações com uma repressão que, segundo organizações de direitos humanos, matou milhares de pessoas. As autoridades iranianas atribuem a violência a "atos terroristas" instigados pelos Estados Unidos e por Israel.
Kia Farahani, uma professora de inglês de 45 anos, acredita que novos protestos semelhantes aos do início do ano podem ocorrer.
"Acho que esta guerra será mais econômica e fará com que as pessoas sintam muita pressão, e talvez haja mais protestos", afirmou.
O Irã executou pessoas processadas por envolvimento nas manifestações, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou indignação nesta terça-feira.
"A fracassada República Islâmica do Irã não paga muitos de seus militares, enquanto assassina manifestantes, inclusive quando eles não estão protestando, em uma escala nunca vista antes", escreveu Trump em sua rede Truth Social.
"Esta é uma crise humanitária de proporções épicas e precisa parar, AGORA", acrescentou.
- "Outra derrota" -
Bessent afirmou que os países que não aderirem às sanções americanas "compartilharão o isolamento" do Irã.
O Departamento do Tesouro detalhou que adotou sanções secundárias, que atingem não apenas o Estado, mas também aqueles que fazem negócios com ele, contra setores críticos como ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo.
A China, importante compradora de petróleo iraniano, declarou nesta terça-feira que se opõe às sanções e que tomará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e interesses.
O secretário do Tesouro não descartou que bancos chineses sejam afetados e advertiu que "qualquer entidade que facilitar a lavagem de dinheiro em nome do Irã será excluída do sistema do dólar americano".
O Irã respondeu em tom de desafio e prometeu "outra derrota" para os Estados Unidos.
O ministro da Economia iraniano, Ali Madanizadeh, afirmou à televisão estatal pouco depois do anúncio de Bessent que o país se preparava há muito tempo e dispõe de um "plano de dois anos".
Os Estados Unidos "fizeram todo o possível para testar a determinação do povo iraniano e dos líderes do país, mas fracassaram em todas as ocasiões. Parece que queriam sofrer uma nova derrota", afirmou Madanizadeh.
O Irã desenvolveu um complexo sistema financeiro para contornar as sanções que afetam sua economia há décadas.
Saeed Laylaz, economista iraniano que vive em Teerã, explicou à AFP que as novas medidas americanas fazem parte da estratégia de "pressão máxima" defendida por Trump desde seu primeiro mandato.
"De modo geral, não há nada que os Estados Unidos possam fazer que já não tenham feito antes", afirmou Laylaz, que considera a economia iraniana amplamente autossuficiente após anos de isolamento.
Segundo o especialista, porém, existem dúvidas "sobre a gestão interna da economia iraniana" e sobre a capacidade do governo de enfrentar os problemas domésticos, entre eles a corrupção, os desequilíbrios do sistema bancário e a inflação.
L.Dubois--BTB