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Economia global navega entre crises e oportunidades, diz chefe do FMI
A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) comparou, nesta terça-feira (25), a economia mundial a um "barco assolado pela tempestade", que navega entre uma inflação elevada, dívida e guerras comerciais, enquanto avança impulsionado pela revolução da inteligência artificial.
Kristalina Georgieva declarou a jornalistas em Washington que, até agora, a economia global suportou melhor que o esperado "o choque energético causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz".
Os preços da energia em todo o mundo dispararam desde que os Estados Unidos e Israel lançaram sua guerra contra o Irã.
Em julho passado, o FMI cortou pela segunda vez este ano sua projeção de crescimento global, a 3% para este ano.
Georgieva afirmou, nesta terça-feira, que o impacto da guerra é "assimétrico" em função da exposição de cada país às importações de petróleo do Golfo e de sua estabilidade macroeconômica geral.
A inflação global provocada pelos altos preços da energia também está no meio do "cabo-de-guerra" pelo "choque positivo de demanda da IA", destacou, em alusão aos enormes investimentos na nova tecnologia.
Georgieva advertiu que, com a chegada do inverno no hemisfério norte, a demanda de energia só irá aumentar, o que poderia impulsionar um novo repique dos preços.
"Isto significa que o choque energético não terminou. Um novo aumento dos preços do petróleo poderia alimentar a inflação, obrigando os bancos centrais a manter uma postura de política restritiva com consequências para os custos do serviço da dívida e sobre a atividade econômica", explicou.
Georgieva se mostrou otimista em relação ao amplo impacto da IA na economia mundial, e afirmou que já se observam efeitos positivos em mais países além dos Estados Unidos, líder nesta tecnologia até agora.
Ela admitiu, no entanto, que há "incógnitas importantes" sobre a IA e disse que o risco de ficar para trás é "mais profundo" nos países em desenvolvimento.
S.Keller--BTB