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Reino Unido reafirma sua soberania sobre as Malvinas após reivindicação de Milei
O Reino Unido reafirmou nesta sexta-feira (4) que as Ilhas Malvinas "são britânicas", depois que o presidente Javier Milei disse que percebe "ventos de mudança" favoráveis à reivindicação da Argentina, após declarações de Donald Trump sobre o arquipélago.
Reino Unido e Argentina travaram, em 1982, uma guerra de 10 semanas pelo arquipélago do Atlântico Sul, um território britânico ultramarino ao qual os argentinos se referem como Malvinas e os britânicos chamam de Falklands.
O destino das ilhas voltou às manchetes nos últimos dias porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir na disputa, e a revelação de um projeto de exploração petrolífera britânico-israelense perto do arquipélago gerou indignação na Argentina.
"No mundo correm ventos de mudança favoráveis à nossa reivindicação", declarou Milei em cadeia nacional, depois que Trump afirmou nesta semana que não descarta "revisar" a tradicional posição de neutralidade de Washington sobre o histórico litígio a respeito das ilhas.
"Esta ameaça não é inócua", acrescentou o mandatário argentino. O pronunciamento aconteceu no contexto do protesto de seu país contra o projeto de exploração petrolífera Sea Lion, promovido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas em águas localizadas a 220 quilômetros das Malvinas.
O controle das Malvinas é um tema muito sensível na Argentina, apesar de uma votação de 2013 na qual os moradores da ilha optaram em grande maioria pela continuidade como parte do Reino Unido.
"As Malvinas são britânicas porque os habitantes das Malvinas escolhem ser britânicos", respondeu o ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira. Ele classificou a declaração de Milei como resultado de "política interna".
"Nosso compromisso com as Malvinas é absoluto e inabalável", acrescentou Streeting.
Milei disse que vai "endurecer as sanções e penas contra as empresas ligadas a operações não autorizadas" e anunciou a criação de uma base naval na província patagônica da Terra do Fogo.
Ele acrescentou que os habitantes das ilhas, por constituírem "uma população implantada em território usurpado, não têm um direito legítimo à autodeterminação".
- Trump -
A disputa pela soberania das ilhas é reconhecida oficialmente por uma resolução da ONU de 1965, que pede aos dois países que não tomem decisões unilaterais e resolvam o impasse pela via diplomática.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos, como a maioria dos países ocidentais, reconhece que o Reino Unido administra de fato o arquipélago, mas não se pronuncia estritamente sobre sua soberania, reivindicada pela Argentina.
"A questão Malvinas serve a Trump para pressionar o Reino Unido, para que cumpra as suas demandas em relação ao financiamento da Otan, à colaboração na guerra no Irã", disse à AFP Tomás Mugica, cientista político e diretor do Centro de Estudos Internacionais da Universidade Católica Argentina.
Por isso, "é necessário ser bastante cuidadoso quanto às expectativas" sobre uma mudança na postura dos Estados Unidos, cuja relação com o Reino Unido "é muito sólida".
"Muitas vezes, as posições retóricas de Trump, que são muito fortes, não correspondem às iniciativas diplomáticas e militares que se seguem", acrescentou.
"Se há um conflito, Trump interfere", afirmou Juan Battaleme, cientista político e que foi secretário de Assuntos Internacionais para a Defesa do governo de Milei até dezembro de 2025.
Para Battaleme, a postura é parte da chamada "doutrina Donroe" (em referência à doutrina Monroe do século XIX), segundo a qual "o interesse americano está demarcado do Ártico à Antártica e pretende que exista um grau de estabilidade" na região.
- Causa nacional -
Argentina e Reino Unido disputam a soberania do arquipélago austral. A guerra em 1982 terminou com a rendição do governo ditatorial argentino após 74 dias de conflito, nos quais morreram 649 argentinos e 255 britânicos.
Mais de quatro décadas depois, o tema é de alta sensibilidade para os argentinos e chegou a ser mencionado durante a Copa do Mundo de 2026, quando jogadores da seleção 'albiceleste' exibiram uma faixa com a frase "As Malvinas são argentinas" após a vitória de 2-1 sobre a Inglaterra nas semifinais.
Milei aborda o tema em um momento de queda de popularidade, a pouco mais de um ano das eleições nas quais buscará um segundo mandato. As pesquisas recentes apontam que a aprovação do governo está em 34%, com uma desaprovação de 55%.
"Existe um consenso muito amplo no conjunto da população, mas também entre as elites políticas, quanto à legitimidade da reivindicação de soberania por parte da Argentina", disse Mugica.
L.Janezki--BTB