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Desemprego se mantém estável nos EUA, com mercado e Trump de olho nas taxas de juros
O desemprego permaneceu estável em agosto nos Estados Unidos, em um nível baixo de 4,1%, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (4), e o presidente americano, Donald Trump, reagiu pedindo que Federal Reserve (Fed, banco central) reduza as taxas de juros.
Os mercados, em contrapartida, temem que a situação saudável do mercado de trabalho leve o banco central americano a apontar na direção oposta.
No total, a economia americana criou 162 mil empregos no mês passado, o triplo do que o mercado esperava.
Os investidores previam a criação de cerca de 50 mil novos empregos em agosto, de acordo com o consenso publicado pela MarketWatch.
Os números de criação de vagas para junho e julho também foram revisados para cima, informou o serviço estatístico do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.
Por sua vez, a taxa de desemprego permaneceu inalterada em 4,1%, um nível geralmente considerado como representativo de pleno emprego.
- O que acontece com as taxas de juros? -
Os novos dados são positivos para o Partido Republicano de Trump, que enfrenta um duro embate com os democratas nas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.
Os mercados financeiros receberam o relatório com certo ceticismo: eles sabem que, se o emprego estiver forte, o Federal Reserve (Fed, banco central) dos EUA se concentrará no combate à inflação, que permanece alta. E poderá usar as taxas de juros para combatê-la.
A perspectiva de aumento dos juros implica a possibilidade de o crédito ficar mais caro, o que desestimularia o consumo e o investimento e, consequentemente, diminuiria a pressão sobre os preços.
O Fed não atinge sua meta de 2% de inflação anual há mais de cinco anos, com a inflação acima dos 3%. Os dados de agosto serão divulgados na próxima semana.
Os aumentos de preços têm sido impulsionados pela guerra de Trump contra o Irã — que disparou os preços da energia e empurrou o diesel a máximas históricas — e por suas políticas tarifárias.
Vários dirigentes do banco central americano indicaram que estariam dispostos a elevar as taxas de juros se os dados de agosto não mostrarem uma tendência contínua de queda da inflação.
Ao responder aos dados de emprego de agosto, Trump estabeleceu uma surpreendente ligação entre a definição das taxas de juros por parte do Federal Reserve e os laços comerciais de Washington com outros países.
"Baixem as taxas de juros porque os Estados Unidos são um devedor muito mais sólido do que eram há muito pouco tempo!", publicou em sua plataforma Truth Social.
"BAIXEM A TAXA OU PARAREI DE COMERCIALIZAR COM OS PAÍSES COM OS QUAIS TEMOS UM DÉFICIT", ameaçou.
J.Fankhauser--BTB