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Comissão do governo recomenda reativação de mina polêmica no Panamá
Uma comissão governamental recomendou nesta quarta-feira (30) ao presidente do Panamá, José Raúl Mulino, a reativação da maior mina de cobre a céu aberto da América Central, de capital canadense, fechada em 2023 por ordem judicial após protestos.
O Panamá enfrenta litígios que exigem 27 bilhões de dólares (R$ 140 bilhões, ou 30% do PIB panamenho) de indenização pela paralisação do projeto, operado pela First Quantum Minerals. A empresa suspendeu seus processos enquanto aguarda uma decisão do governo sobre a reabertura.
A produção da jazida, localizada no Caribe, representava 75% das exportações e 6 mil empregos diretos. Mas a Suprema Corte de Justiça declarou a concessão inconstitucional, por violar normas ambientais e de licitação pública.
A decisão foi anunciada após semanas de protestos contra a mineração, que paralisaram grande parte do país. Nas áreas próximas ao empreendimento, porém, alguns moradores pedem a reabertura, pelos milhares de empregos gerados.
Uma comissão formada por ministros entregou hoje a Mulino um relatório que recomenda a retomada das operações, mas ressaltou que o objetivo a longo prazo é o fechamento gradual das instalações no país, onde uma lei proíbe novas concessões relacionadas à mineração.
"Vou estudar este relatório com o tempo que um documento desta dimensão exige. Não vou repetir o erro de decidir em quatro dias sobre um assunto com o qual este país terá que lidar durante décadas", disse o presidente.
"Uma operação desta escala não se encerra em um ano, nem em cinco", declarou o ministro de Comércio e Indústrias, Julio Moltó, integrante da comissão.
A empresa canadense destacou que vai "colaborar de forma construtiva" para estabelecer um marco legal "justo" e "duradouro" que permita a retomada das atividades.
Lilian Guevara, do Centro de Defesa Ambiental do Panamá, questionou a recomendação ministerial, argumentando que ela "não explica como a reativação pode ser conciliada" com a decisão do tribunal ou com a proibição da mineração no país.
F.Pavlenko--BTB