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Rússia e Ucrânia trocam ataques contra infraestruturas energéticas
Novos bombardeios mútuos atingiram instalações energéticas na Rússia e na Ucrânia neste domingo (18), provocando um incêndio de grandes proporções em um terminal de petróleo em São Petersburgo e deixando dezenas de milhares de pessoas sem eletricidade.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou no último domingo uma trégua no setor energético, mas os bombardeios continuaram.
Com as relações entre Washington e Kiev passando por um momento particularmente tenso nos últimos dias, Trump criticou seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, por atacar refinarias de petróleo russas, argumentando que isso faz com que o preço dos combustíveis dispare. Essa tendência é agravada, ainda, pela guerra deflagrada no Oriente Médio em decorrência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Kiev, por sua vez, afirma que ataca essas infraestruturas russas em resposta aos bombardeios de Moscou contra o seu sistema energético, iniciados desde o lançamento da ofensiva em larga escala em 2022. Segundo a Ucrânia, o objetivo é enfraquecer esse setor, que contribui para o financiamento do esforço de guerra da Rússia.
Na madrugada de domingo, um terminal de petróleo em São Petersburgo foi atingido por drones ucranianos, o que provocou incêndios de grandes proporções no local, conforme imagens registradas por jornalistas da AFP.
Após mais de quatro anos e meio de guerra, Galina, uma moradora de São Petersburgo, não demonstrou qualquer surpresa. "Bombardeiam, nos bombardeiam; é a terrível rotina da guerra", comentou essa mulher de 58 anos, que preferiu não revelar seu sobrenome.
Ao seu lado, sua amiga Alexandra, de 50 anos, considerou que esses bombardeios são "assustadores", mas não "inesperados". "Mentalmente, nos preparamos para o fato de que isso poderia acontecer bem perto."
Segundo o governador da cidade, Alexander Beglov, uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas neste ataque "massivo" com drones.
Pela manhã, ele informou que os bombeiros continuavam combatendo as chamas no terminal de petróleo, assim como no "depósito de petróleo Ruchi" e em "instalações industriais" situadas ao sul da cidade.
"O regime de Kiev continua resistindo, mas isso não pode mudar o curso dos acontecimentos", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a veículos de imprensa russos.
- 145 drones derrubados -
A gigante russa do comércio eletrônico OZON, cujos depósitos foram alvo de ataques ucranianos recorrentes nos últimos meses, anunciou que "um de seus centros logísticos" foi atingido por um drone em São Petersburgo.
Segundo Beglov, os ataques também danificaram cerca de dez edifícios residenciais e duas casas.
A defesa aérea russa derrubou 145 drones durante a noite na região de Leningrado, que circunda São Petersburgo, informou o governador regional Alexander Drozdenko no Telegram.
Segundo ele, cerca de 20.000 pessoas ficaram sem fornecimento de energia elétrica devido a problemas técnicos causados por esses ataques.
Trata-se do maior ataque realizado com drones contra essa região desde o início da guerra, informou a agência TASS, com base no número de aparelhos oficialmente derrubados.
Ao todo, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que 1.015 drones ucranianos foram neutralizados na noite de sábado e na madrugada de domingo em cerca de quinze regiões do sul e do oeste do país, incluindo a região de Moscou.
Por sua vez, a rede social russa VK relatou um ataque com drones contra um centro de dados na região de Leningrado, embora tenha assegurado que seus serviços continuam funcionando normalmente.
- Milhares de famílias sem eletricidade -
Na Ucrânia, o presidente Volodimir Zelensky informou que, durante a noite, a Rússia bombardeou infraestruturas elétricas nas regiões de Vinnytsia, Zhytomyr, Khmelnytskyi e Odessa.
"Dezenas de milhares de famílias continuam sem eletricidade", explicou ele neste domingo nas redes sociais, acrescentando que os trabalhos para restabelecer o fornecimento continuam.
Segundo Zelensky, pelo menos duas pessoas morreram e outras doze ficaram feridas, incluindo duas crianças, nesses ataques.
Nas últimas três semanas, o Exército russo retomou os bombardeios contra infraestruturas ucranianas, provocando cortes significativos de energia. Isso gerou preocupação entre a população, que teme passar por mais um inverno com dificuldades para se aquecer.
As relações entre Washington e Kiev passam por uma nova crise.
Na sexta-feira, o presidente americano, Donald Trump, assinou um decreto que isenta a Rússia de novas sanções americanas, uma decisão muito criticada pela Ucrânia.
Dias antes, Washington e Moscou haviam assinado um acordo para suspender sanções contra Moscou e permitir que os Estados Unidos importem quantidades significativas de diesel russo.
M.Ouellet--BTB