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Venezuela vive festa após conquista do Mundial de Beisebol
A Venezuela comemorou nesta quarta-feira (18) seu primeiro título no World Baseball Classic (Mundial de Beisebol), uma celebração que alguns chegam a vincular à queda de Nicolás Maduro.
Na terça-feira, a seleção venezuelana derrotou os Estados Unidos por 3 a 2 em uma final disputada em Miami, um jogo que paralisou o país, nesta nação onde o beisebol é o esporte nacional.
"Os venezuelanos nascem com o beisebol no sangue", disse Luis Gedler, de 44 anos, ao lado de uma quadra esportiva no histórico bairro 23 de Enero, na capital. "É motivo de orgulho. Eles conquistaram aquilo que ninguém esperava".
Ao fundo, crianças jogavam bola, inspiradas pela façanha de seus ídolos.
A presidente da Federação Venezuelana de Beisebol trouxe o troféu dos Estados Unidos para Caracas, onde o apresentou à presidente Delcy Rodríguez, no Palácio Presidencial de Miraflores.
Nenhum dos jogadores viajou, pois precisavam se reintegrar às suas equipes da Major League.
Rodríguez declarou que pedirá à Major League Baseball que os libere para viajar, "nem que fosse apenas por um dia, para abraçar seu povo e suas famílias, para que pudessem vivenciar a emoção e o orgulho que sentimos ao vê-los".
A presidente — que, mais cedo promoveu uma ampla reforma em seu gabinete — decretou o dia 17 de março como o Dia Nacional do Beisebol.
Um ônibus percorreu diversas ruas de Caracas com o troféu em seu teto, acompanhado por centenas de pessoas.
- "Muitas esperanças" -
Uma rebatida dupla de Eugenio Suárez impulsionou a corrida da vitória, anotada por Javier Sanoja, levando ao delírio os torcedores venezuelanos, que haviam lotado o loanDepot Park, em Miami.
O jogo transcendeu a esfera esportiva.
Ocorreu menos de três meses depois de as forças militares dos Estados Unidos terem bombardeado Caracas e capturado Maduro, a quem Washington e a oposição venezuelana consideravam um ditador.
A partida foi transmitida em praças públicas, restaurantes e bares. E a comemoração se estendeu até as primeiras horas da manhã: caravanas de dezenas de motocicletas e carros desfilaram pelas avenidas de Caracas, buzinando e tocando músicas tradicionais em volume máximo.
"Isso nos dá muita esperança para o país", disse à AFP Yoelis Morantes, de 37 anos. "Estamos celebrando o que deveríamos estar celebrando desde o início do ano", acrescentou ela, em uma clara referência à destituição de Maduro.
Um decreto de estado de emergência, em vigor desde janeiro, proíbe qualquer manifestação de apoio ou celebração à derrubada do líder de esquerda, em meio a um temor generalizado das forças de segurança.
Rodríguez era vice-presidente de Maduro e herdou o poder com a bênção de Washington.
"Demonstramos que, por meio da competição esportiva, podemos competir", afirmou a líder, que mencionou ter discutido o jogo com a embaixadora Laura Dogu. "É isso que buscamos em nossas relações bilaterais com o governo dos Estados Unidos".
- "2026 promete" -
Bandeiras venezuelanas tremulavam nas janelas de apartamentos e casas. Muitas pessoas dirigiam seus carros ou viajavam em ônibus vestindo a camisa da seleção da Venezuela.
A vitória da 'Vinotinto' do beisebol chegou também como um alento, após o fracasso da seleção nacional de futebol em sua busca pela classificação para sua primeira Copa do Mundo.
As redes sociais explodiram com vídeos de comemoração e memes, incluindo, por exemplo, o herói da independência Simón Bolívar empunhando um taco e vestindo o uniforme da seleção da Venezuela.
"Eh, Venezuela! Uh!", entoavam centenas de pessoas na noite anterior, em uma praça na capital. "Viva a Venezuela, caramba!", gritou um homem. "Nós somos os melhores".
"O primeiro trimestre do ano está apenas começando, e olhem só como estamos indo", comemorou Kenia González, de 35 anos. "2026 promete!".
Y.Bouchard--BTB