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Lula e Flávio Bolsonaro encerram campanhas na véspera de uma eleição acirrada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), encerram suas campanhas, neste sábado (3), com caravanas e motociatas junto a milhares de apoiadores, na véspera do primeiro turno de uma acirrada eleição presidencial.
Com quase 81 anos, o presidente Lula, que tenta se eleger para um quarto mandato, tem previsto encerrar a reta final da disputa eleitoral sobre um veículo diante de uma multidão em São Paulo.
Há quatro anos, a capital do maior colégio eleitoral do país também foi palco do encerramento de sua campanha quando o ex-líder sindical venceu em um disputado segundo turno o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), pai de Flávio.
Enquanto isso, o senador de 45 anos, que percorre o interior de São Paulo em um caminhão, quer incluir o Brasil na onda de governos conservadores na América Latina.
As eleições são acompanhadas "muito de perto" pelo presidente americano, Donald Trump, aliado de seu pai.
Segundo as pesquisas, nenhum dos dois candidatos tem os votos necessários para se eleger no primeiro turno, o que levará a definição da disputa para o segundo turno, em 25 de outubro.
- "Make Lula president again" -
Lula percorrerá uma via próxima à Avenida Paulista, onde uma multidão o aguardava com camisetas e bonés vermelhos com lemas como "Make Lula president again" e "O Brasil é dos brasileiros".
"Trump quer fazer o nosso Brasil de quintal deles. A gente não pode deixar isso acontecer de jeito nenhum. Por isso, esta eleição é muito importante", disse à AFP Adriana Lima, professora de educação infantil de 44 anos, com boné, óculos, brincos e batom vermelhos.
Lula agitou a bandeira da soberania durante a campanha e acusou o governo Trump de querer se apoderar das riquezas do Brasil, como as terras raras.
"É fundamental que os brasileiros saibam que não estão votando só em um candidato a presidente, estão votando em quem defende o nosso país", disse o contador Tiago Lorureto, de 35 anos.
- "Trump tem que interferir" -
Do alto de um caminhão, Flávio Bolsonaro percorre cerca de 20 km no interior de São Paulo, no que chamou de "Caravana da Vitória". Em seguida, repetirá o ato no Rio de Janeiro.
Embora Trump não tenha apoiado diretamente sua candidatura, o presidente republicano é aliado de seu pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
"O que nós estamos vivendo hoje não é uma democracia. Nós, a população simples, não conseguimos ter uma vida digna", disse à AFP Eliane Boscolo, em um parque de Santa Bárbara D'Oeste, onde motos e carros 4x4 formavam fila à espera da chegada do candidato.
"Trump tem que interferir. Porque o país dele, os Estados Unidos, são um país que só cresce financeiramente. E nós, aqui, vamos ficar como?", disse, vestida uma camiseta estampada com a foto de Flávio Bolsonaro.
- Votar para "não me arrepender" -
Lula e o primogênito de seu arqui-adversário trocaram ataques sem trégua durante a campanha, embora não tenham se enfrentado em debates cara a cara.
Flávio Bolsonaro tenta capitalizar o descontentamento crescente com o governo depois de quanto anos nos quais a direita criticou o presidente Lula pelo aumento do custo de vida e da insegurança.
Os focos da campanha visaram principalmente a corrupção, que salpicou o candidato do PL, investigado por este crime e por lavagem de dinheiro.
Na véspera do primeiro turno, alguns ainda devem decidir seu voto, como Patrícia Catherine de Sousa.
"Ficar nesse debate de política, para mim é perda de tempo. Mas como já é amanhã, agora eu estou pesquisando para fazer um voto certo, para depois não me arrepender", disse esta cuidadora de idosos de 35 anos no Rio de Janeiro.
O segundo turno, praticamente certo segundo as pesquisas, dará início a outras três semanas de campanha em um contexto de profunda polarização.
Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por uma diferença de apenas 1,8% dos votos.
F.Müller--BTB