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Capital do Sudão e Darfur têm novos combates apesar da trégua
Os combates entre o exército do Sudão e os paramilitares prosseguiam nesta quinta-feira (27) na capital Cartum e na região de Darfur, no 13º dia do conflito, apesar do anúncio de um cessar-fogo obtido com a mediação dos Estados Unidos.
O exército anunciou na quarta-feira à noite que concordou com um diálogo em Juba, a capital do Sudão do Sul, com o objetivo de prolongar uma trégua de três dias que termina na sexta-feira com milícias das Forças de Apoio Rápido (FAR).
Apesar da promessa de trégua, que entrou em vigor na terça-feira, aviões militares cruzam o céu dos subúrbios ao norte da capital e os combates com metralhadores e armamento pesado continuam, informaram testemunhas à AFP.
O conflito que envolve as tropas do general Abdel Fatah al Burhan - que preside o país - e os paramilitares liderados pelo general Mohamed Hamdan Daglo começou em 15 de abril e, desde então, fracassaram várias tentativas de interrupção dos combates.
O general Burhan afirmou que aceita discutir uma prorrogação da trégua, que foi amplamente ignorada.
Os paramilitares não comentaram a iniciativa do bloco regional dos países do leste da África.
De acordo com o ministério da Saúde do Sudão, ao menos 512 pessoas morreram e 4.193 ficaram feridas desde o início do conflito, mas o balanço real provavelmente é mais elevado.
- "Esta é guerra de vocês" -
Além da capital, a violência arrasa outras regiões do país, em particular na zona oeste da região de Darfur.
Na capital desta região, El Geneina, foram registrados saques, assassinatos e incêndios em casas, segundo a ONU. A área foi cenário de uma guerra extremamente violenta na década de 2000.
A Organização das Nações Unidas, que teve que interromper suas operações após a morte de cinco trabalhadores humanitários, advertiu que não pode mais prestar auxílio em uma área onde "50.000 crianças sofrem de desnutrição aguda".
Os combates provocaram uma fuga em massa e agravaram a crise em uma das nações mais pobres do mundo, que tem mais 45 milhões de habitantes.
Achraf, um sudanês de 50 anos que fugiu de Cartum para o vizinho Egito, pediu aos generais que "acabem com a guerra".
"Os sudaneses sofrem e não merecem isto. Esta é a guerra de vocês, não do povo sudanês", afirmou o homem à AFP.
As pessoas que permanecem no país enfrentam escassez de alimentos, falta de água e de energia elétrica, além de cortes nas linhas de telefonia e de internet.
Os países vizinhos receberam dezenas de milhares de pessoas, em particular Egito e Etiópia, segundo a ONU, que teme um êxodo em massa.
- Hospitais fora de operação -
Nos últimos dias, vários países organizaram operações para retirar seus cidadãos do Sudão.
De acordo com o sindicato de médicos, 14 hospitais foram bombardeados e outros 19 foram esvaziados porque estavam sob ataques, enfrentavam falta de material e funcionários ou porque os combatentes assumiram o controle de áreas próximas.
Em meio ao cenário de caos, centenas de detentos fugiram de três prisões, incluindo a penitenciária de segurança máxima de Kober, onde estavam presos ex-funcionários de alto escalão do regime deposto de Omar al Bashir.
Entre os foragidos está um integrante do antigo governo que é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), acusado de crimes contra a humanidade.
Al Bashir, 79 anos, também estava na prisão, mas o exército anunciou na quarta-feira que ele foi transferido para um hospital militar antes do início dos combates "devido a sua condição de saúde". A data da transferência não foi divulgada.
Al Bashir foi derrubado pelo exército em abril de 2019, após uma grande pressão popular.
Os dois generais que protagonizam o atual conflito acabaram com as expectativas de uma transição para a democracia quando se aliaram, em 2021, para derrubar os civis do poder.
Meses depois, Burhan e Daglo entraram em conflito por suas divergências sobre a integração dos paramilitares o exército oficial.
Y.Bouchard--BTB