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Ucrânia ataca ponte entre a Crimeia, anexada pela Rússia, e zona ocupada
Um ataque ucraniano danificou nesta quinta-feira (22) uma ponte que liga a península da Crimeia a uma região do sul da Ucrânia parcialmente ocupada pela Rússia, afirmaram as autoridades de Moscou, em plena contraofensiva das forças de Kiev.
Ao mesmo tempo, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, acusou a Rússia de preparar um "atentado terrorista" para provocar um vazamento radioativo na central nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pelas tropas de Moscou e alvo de ataques frequentes. O Kremlin denunciou uma "mentira".
O ataque que atingiu a ponte na Crimeia acontece em meio à ofensiva das forças ucranianas para tentar libertar os territórios ocupados no sul e leste do país, uma operação que a Rússia afirma que está desacelerando.
A Crimeia, península ucraniana anexada por Moscou em 2014, serve como base de retaguarda para as forças russas, em particular para enviar reforços e fazer a manutenção de equipamentos.
As poucas pontes que ligam a península ao sul ocupado da Ucrânia são essenciais para as operações russas.
"Durante a noite, um ataque atingiu a ponte de Chongar", declarou o governador russo da península, Serguei Aksionov, a respeito da infraestrutura com duas pistas paralelas que ligam a Crimeia à região de Kherson, no sul da Ucrânia.
O governador disse o ataque não provocou vítimas e que os danos estão sendo avaliados.
O comandante da administração russa na parte ocupada da região de Kherson, Vladimir Saldo, disse que as forças ucranianas utilizaram mísseis britânicos Storm Shadows de longo alcance, uma afirmação que não foi possível verificar com uma fonte independente.
Saldo publicou um vídeo que mostra as duas partes da ponte afetadas pelo ataque, uma delas visivelmente mais danificada, com uma grande cratera na estrada que permite observar a água abaixo.
As forças ucranianas "tentam intimidar os habitantes de Kherson, espalhar o pânico entre a população", disse o comandante da administração russa, antes de afirmar que a ponte será reparada em "alguns dias".
- "Impacto psicológico" -
Outra fonte próxima da ocupação russa na região vizinha de Zaporizhzhia, Vladimir Rogov, disse que um ataque também atingiu uma ponte antiga que não é mais utilizada e que atravessa uma área pantanosa chamada de Syvach, que fica alguns quilômetros ao oeste da Chongar.
A Crimeia é alvo frequente de ataques ucranianos, em particular de drones.
Em outubro de 2022, uma grande explosão destruiu parcialmente a único ponte que liga diretamente a Crimeia à Rússia.
Um integrante da administração ucraniana em Kherson, Yuri Sobolevsky, disse que o dano provocado à ponte de Chongar tem "grande importância porque é um golpe para a logística militar dos ocupantes".
"O impacto psicológico para os ocupantes e as autoridades de ocupação é ainda maior. Não podem sentir que estão seguros em nenhum lugar da região de Kherson", acrescentou.
O primeiro-ministro ucraniano, Denis Shmigal, advertiu em Londres que a contraofensiva para combater as forças invasoras russas "levará tempo", embora ele esteja "otimista" sobre as chances de sucesso.
O presidente russo Vladimir Putin, no entanto, continua afirmando que a contraofensiva ucraniana é um fracasso.
O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, afirmou que as forças ucranianas "reduziram suas atividades e, atualmente, estão se reagrupando", depois que sofreram "perdas significativas".
Ao mesmo tempo, o fundador do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgueni Prigozhin, acusou o Estado-Maior do país de "mentir" a Putin sobre a situação na frente de batalha. "Há problemas colossais", disse.
A Ucrânia afirma que está avançando na contraofensiva e que reconquistou oito localidades desde o início de junho.
Os analistas acreditam que Kiev está testando as defesas russas antes de mobilizar a maior parte de suas tropas na batalha.
No atual contexto, o chefe de Governo da Alemanha, Olaf Scholz, pediu aos líderes dos países da Otan, que se reunirão em Vilnius (Lituânia) em julho, que se concentrem em reforçar a ajuda militar à Ucrânia, a "prioridade máxima" da organização.
Além disso, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, deve se reunir na sexta-feira em Kaliningrado com o diretor da Organização Atômica da Rússia, Alexei Likhachov, para discutir a segurança da central de Zaporizhzhia, que ele visitou na semana passada.
O.Bulka--BTB