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Mais de 900 migrantes morreram afogados na Tunísia em seis meses
Mais de 900 migrantes que tentavam chegar à Europa ilegalmente morreram afogados na costa da Tunísia durante os primeiros seis meses do ano, segundo as autoridades do país africano.
Em um novo balanço atualizado, o Ministério do Interior disse à AFP, nesta quinta-feira (27), que de 1º de janeiro a 20 de julho foram recuperados no mar os corpos de 901 migrantes, dos quais 26 eram tunisianos, 267 "estrangeiros" (africanos) e 608 não puderam ser identificados.
A Guarda Nacional da Tunísia havia indicado anteriormente a descoberta no mar de "789 corpos de migrantes, entre eles 102 tunisianos" entre 1º de janeiro e 20 de junho de 2023.
Durante esse mesmo período, 34.290 migrantes foram interceptados e resgatados, incluindo 30.587 "estrangeiros", principalmente da África subsaariana, em comparação com 9.217 pessoas interceptadas ou resgatadas no mesmo período de 2022 (incluindo 6.597 estrangeiros), segundo o porta-voz da Guarda Nacional da Tunísia, Houcem Eddine Jebabli.
As unidades da Guarda Costeira realizaram 1.310 operações nos primeiros seis meses de 2023, mais que o dobro do número (607) registrado em 2022, afirmou.
Algumas zonas do litoral tunisiano estendem-se a menos de 150 quilômetros da ilha italiana de Lampedusa, razão pela qual se registra regularmente a saída de imigrantes, principalmente da África subsariana.
Segundo Roma, mais de 80 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo e chegaram às costas da península italiana desde o início do ano, contra 33 mil no mesmo período do ano passado, a maioria vinda das costas da Tunísia e da Líbia.
O Mediterrâneo central - entre o norte da África e a Itália - é a rota migratória mais perigosa do mundo em 2023, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que registrou mais de 20 mil mortes desde 2014.
Em 22 de junho, uma semana depois que uma embarcação de pesca da Líbia virou perto do Peloponeso, deixando pelo menos 82 mortos e centenas de desaparecidos, um barco cheio de migrantes de Sfax (Tunísia) virou perto de Lampedusa, deixando cerca de quarenta pessoas desaparecidas.
Um clima crescente e abertamente xenófobo se espalha na Tunísia desde que o presidente, Kais Saied, que assumiu o poder em julho de 2021, decidiu combater a migração ilegal em fevereiro.
Centenas de imigrantes foram expulsos de Sfax (leste), a segunda maior cidade da Tunísia, após confrontos que mataram um tunisiano em 3 de julho.
Desde o golpe de Estado do presidente Saied, as tentativas de saída dos tunisianos, desesperados devido à crise econômica que afeta este país do norte da África, continuam em ritmo constante.
L.Janezki--BTB