Berliner Tageblatt - 'Lutando por nosso futuro': estudantes convocam novos protestos na França

'Lutando por nosso futuro': estudantes convocam novos protestos na França
'Lutando por nosso futuro': estudantes convocam novos protestos na França / foto: © AFP

'Lutando por nosso futuro': estudantes convocam novos protestos na França

Organizações estudantis e sindicatos convocaram, nesta quinta-feira (8), uma grande manifestação para 13 de outubro, ao considerar insuficientes as respostas do governo francês às suas reivindicações por medidas concretas para melhorar as condições de aprendizado nas escolas de ensino médio.

Tamanho do texto:

Dezenas de milhares de pessoas voltaram às ruas de Paris e outras cidades para denunciar a falta de reposição de professores ausentes e horários sobrecarregados, assim como salas de aula deterioradas e despreparadas para enfrentar o aumento das temperaturas.

Na Praça da Bastilha, em Paris, dezenas de jovens subiram no famoso monumento situado ao centro, alguns brandindo a bandeira francesa e cantando o hino nacional, até que a polícia começou a desocupar a área com investidas e gás lacrimogêneo.

Sentado com as pernas penduradas na cobertura de um ponto de ônibus, um estudante levava nas mãos um cartaz que dizia: "Motivo da falta: ocupado demais lutando por nosso futuro".

Desde o fim de setembro, os estudantes secundaristas, em sua maioria com idades entre 15 e 18 anos, pedem melhorias no último ciclo do ensino médio e a suspensão ou mudanças no Parcoursup, sistema de acesso ao ensino superior que consideram pouco transparente.

"Enquanto não houver 10 bilhões [de euros, R$ 56 bilhões] em cima da mesa, seguiremos nos mobilizando", afirmou Sabrine Kharbach, porta-voz da Union Étudiante, ao anunciar a nova data para manifestações e greve, e pedir uma adesão maciça.

Na última terça-feira, entre 266.000 e 450.000 pessoas participaram dos atos.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu (centro-direita) avaliou, na noite de quarta-feira, que "ninguém pode ficar indiferente diante das angústias expressas" pelos estudantes, mas adiou as "primeiras decisões" para "o final de outubro", sem anunciar medidas concretas.

Após se reunir, nesta quinta-feira, com representantes das três principais organizações estudantis, o ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, deve revelar, à noite, medidas de seu "plano de urgência" para atender uma das reivindicações: a substituição de professores ausentes.

Os protestos ocorrem em um contexto tenso para o governo, que busca aprovar no Parlamento orçamentos para 2027 com um forte ajuste fiscal de 60 bilhões de dólares (R$ 300 bilhões) para limitar o déficit elevado e a dívida pública recorde.

Além disso, os franceses devem escolher no próximo ano o sucessor do presidente Emmanuel Macron (centro-direita). A ultradireitista Marine Le Pen, favorita nas pesquisas, acusou o presidente atual de se colocar "sempre do lado daqueles que atacam a polícia".

burs-tjc/erl/mvv/aa

D.Schneider--BTB