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Arábia Saudita recebe reunião para buscar solução à guerra da Ucrânia
Representantes de dezenas de países se reúnem a partir deste sábado (5) na Arábia Saudita para buscar uma solução à guerra entre Rússia e Ucrânia, uma iniciativa que demonstra o ímpeto diplomático do reino, mas da qual são esperados poucos avanços imediatos.
O encontro, com a presença de quase 40 delegações, mas sem representantes russos, acontece no porto de Jidá, no Mar Vermelho.
"Antecipo que a conversa não será fácil, mas a verdade está do nosso lado", disse na sexta-feira Andrii Yermak, chefe de gabinete da presidência da Ucrânia.
"Temos muitas divergências e escutamos muitas posições, mas é importante que possamos compartilhar nossos princípios", disse Yermak. "Nossa tarefa é unir todos ao redor da Ucrânia", acrescentou.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2002. O país fracassou na tentativa de tomar Kiev, a capital, mas assumiu o controle de amplas regiões do leste, que as tropas ucranianas tentam reconquistar atualmente, com equipamento militar e apoio financeiro das potências ocidentais.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou durante a semana que os debates serão dominados por seu plano de paz de 10 pontos que inclui a retirada total das tropas russas do território da ex-república soviética.
Também exige a restituição à Ucrânia da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.
A Rússia afirma desde o início da guerra que qualquer negociação deve levar em consideração as "novas realidades territoriais".
- O momento dos BRICS? -
A reunião sobre a paz na Ucrânia acontece após um encontro informal entre vários países em junho em Copenhague, que terminou sem uma declaração conjunta.
A delegação americana em Jidá, que não espera grandes resultados do encontro, é liderada pelo conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan.
Fontes diplomáticas afirmaram que Ucrânia tem expectativas sobre o papel que outros países podem desempenhar, em particular os quatro sócios da Rússia no grupo BRICS (Brasil, Índia, China e África do Sul), que não se posicionaram ao lado de Kiev, mas também não apoiaram a invasão russa.
A China, que afirma ter uma posição neutra mas é alvo de críticas ocidentais por não condenar a Rússia, anunciou que seu enviado especial para a Eurásia, Li Hui, lidera a delegação em Jidá.
A Índia afirmou que comparece a Jidá com a posição de que "o diálogo e a diplomacia são o caminho a seguir".
A comitiva do Brasil é liderada por Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Assuntos Internacionais.
Zelensky celebrou na sexta-feira a participação nas negociações de países em desenvolvimento, muito afetados pelo aumento dos preços dos alimentos provocado pela guerra.
"Isto é muito importante, porque em questões como a segurança alimentar o destino de milhões de pessoas na África, Ásia e outras partes do mundo depende diretamente da rapidez de movimentação do mundo para implementar uma fórmula de paz", disse.
A Arábia Saudita, que como maior exportador de petróleo do mundo trabalha em estreita colaboração com a Rússia na política de combustíveis, mantém contatos com os dois lados e se apresenta como possível mediador.
"Ao receber esta cúpula, a Arábia Saudita quer reforçar sua ambição de virar uma potência intermediária, capaz de mediar conflitos", disse Joost Hiltermann, diretor para o Oriente Médio da ONG International Crisis Group.
Riad "quer se ver ao lado da Índia ou do Brasil, porque somente como um grupo estas potências intermediárias podem aspirar ter um impacto", acrescentou.
D.Schneider--BTB