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EUA aplica sanções a funcionários chineses por 'assimilação forçada' de crianças tibetanas
Os Estados Unidos anunciaram, nesta terça-feira (22), que impuseram sanções a autoridades chinesas por sua política de "assimilação forçada" de crianças no Tibete, onde, segundo especialistas da ONU, mais de um milhão de crianças foram separadas das suas famílias.
"Estas políticas coercivas buscam eliminar as tradições linguísticas, culturais e religiosas distintivas do Tibete entre as gerações mais jovens de tibetanos", afirmou o secretário de Estado americano, Antony Blinken, em um comunicado informando da restrição de vistos para estes funcionários.
"Pedimos às autoridades chinesas que ponham fim à coerção das crianças tibetanas em internatos administrados pelo governo e que cessem as políticas repressivas de assimilação, tanto no Tibete como em outros lugares" do país, acrescentou.
Desde 2021, os Estados Unidos acusam a China de realizar um genocídio em outra região, Xinjiang, por meio de uma rede de campos de trabalhos forçados.
De acordo com um porta-voz do Departamento de Estado, as novas restrições serão aplicadas a funcionários envolvidos nas políticas para o Tibete, estejam ativos, ou não. O porta-voz evitou dar detalhes, alegando leis de confidencialidade sobre os registros de vistos.
Em dezembro, os Estados Unidos anunciaram sanções contra dois funcionários chineses de alto escalão, Wu Yingjie e Zhang Hongbo, pelo que Washington chamou de violações generalizadas dos direitos humanos no Tibete.
No comunicado, Blinken cita um número divulgado em fevereiro por três especialistas da ONU, que estimam que cerca de um milhão de crianças tibetanas foram transferidas à força para internatos.
O programa parece ter como objetivo integrar os tibetanos, coercivamente, à cultura da etnia han, majoritária na China, com educação obrigatória em mandarim e sem referências à cultura da região do Himalaia, de maioria budista.
Outro relatório divulgado este ano por especialistas da ONU diz que centenas de milhares de tibetanos também foram forçados a abandonar a vida rural tradicional em busca de uma "formação profissional" pouco qualificada.
O Ministério chinês das Relações Exteriores classificou o relatório como "completamente infundado" e disse que a região do Tibete "goza de estabilidade social, desenvolvimento econômico, unidade étnica, harmonia religiosa e as pessoas vivem e trabalham em paz".
A China governa o Tibete com mão de ferro desde a década de 1950.
O carismático líder espiritual do Tibete, o dalai lama, que vive exilado na Índia desde 1959, aumentou a consciência global sobre o destino da região. Muitos tibetanos acusam a China de adotar medidas repressivas e de tortura.
M.Ouellet--BTB