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Bombardeios matam civis na Ucrânia e Rússia; Moscou sofre novo ataque de drone
Novos bombardeios mataram civis nesta quarta-feira (23) na Ucrânia e na Rússia, que também foi cenário de ataques de drones ucranianos pelo sexto dia consecutivo em vários pontos do país.
O Exército russo prosseguiu com os ataques noturnos e matou três civis nas proximidades de Lyman, na região de Donetsk (leste), segundo as autoridades.
As três vítimas fatais são duas mulheres e um homem, com idades entre 63 e 88 anos, que estavam sentadas em um banco no município de Torske no momento do ataque.
Em Romny, na região de Sumy (nordeste), quatro funcionários morreram em um ataque com drone contra uma escola, informou o ministro do Interior, Igor Klimenko, no Telegram.
A Rússia também voltou a atacar as instalações portuárias ucranianas de Izmail (sul), no Danúbio, principal via de exportações de produtos agrícolas ucranianos desde que Moscou abandonou, em julho, o acordo sobre cereais. Silos e armazéns foram atingidos, informaram fontes locais.
Ao mesmo tempo, o Exército ucraniano anunciou que destruiu drones do tipo "Shahed-136/131" ao leste do Mar de Azov.
- Ataques -
A Rússia, que ocupa amplas faixas de território do leste e sul da Ucrânia, enfrenta uma contraofensiva nas regiões de fronteira.
Um ataque ucraniano em Belgorod matou três civis na localidade de Lavy, informou o governador da região, Viacheslav Gladkov.
Nas últimas semanas, o território russo foi atingido quase diariamente por drones, em particular a região de Moscou - os ataques não provocaram vítimas ou danos consideráveis.
Um drone "foi neutralizado por recursos de guerra eletrônica e, ao perder o controle, colidiu com um edifício em construção no complexo Moskva City", no distrito financeiro da capital, na manhã de quarta-feira, informou o ministério da Defesa da Rússia.
Os sistemas de defesa aérea russos destruíram outros dois aparelhos não tripulados nos distritos de Mozhaisky, a 12 km do centro, e em Khimki, a 20 quilômetros do Kremlin, informou o ministério.
Os aeroportos internacionais de Vnukovo, Domodedovo e Sheremetievo interromperam as operações por alguns minutos.
As regiões de fronteira da Rússia também enfrentam com frequência incursões armadas, ataques geralmente reivindicados por unidades de russos contrários ao Kremlin e comprometidos com a Ucrânia.
Na segunda-feira, a região de Briansk foi alvo de uma tentativa de ataque, que foi impedida, informou o Serviço Federal de Segurança(FSB).
- Novos aviões de combate -
Em outro foco de tensão nas últimas semanas, o ministro ucraniano de Infraestruturas, Oleksander Kubrakov, afirmou que os ataques russos aos portos ucranianos destruíram "270 mil toneladas de grãos" em um mês.
O Mar Negro virou um cenário de conflito desde que a Rússia abandonou, em julho, um acordo mediado pela ONU e a Turquia para permitir as exportações de grãos ucranianos.
Paralelamente, a contraofensiva ucraniana avança lentamente para tentar liberar as regiões ocupadas.
Fontes do governo ucraniano afirmam que esta é uma operação longa e complexa, após as críticas de países ocidentais, que apontam o bloqueio na recuperação de territórios.
A Ucrânia pede aos aliados ocidentais ainda mais ajuda militar para conseguir penetrar nas linhas inimigas, uma tarefa complicada diante da defesa construída pelas forças russas, em particular as armadilhas antitanque e os campos minados.
Após uma rápida viagem por países europeus na qual ouviu a promessa de entrega de novos caças F-16 nos próximos meses, o presidente ucraniano Volodimir Zelenskiy recebeu outro aliado em Kiev, o primeiro-ministro finlandês Petteri Orpo, cujo país entrou para a Otan após a invasão russa ao território da Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, participou por videoconferência na cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ele é objeto de um mandado de detenção do Tribunal Penal Internacional e não viajou a Johannesburgo.
Putin voltou a culpar os ocidentais pelo conflito, por considerar que os Estados Unidos e os países europeus começaram a apoiar uma revolução pró-Ocidente em Kiev em 2014.
"Nossas ações na Ucrânia são determinadas por uma coisa: acabar com esta guerra, provocada pelo Ocidente", afirmou.
P.Anderson--BTB