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G20 evita divisões sobre Ucrânia e mudança climática
Os países do G20 evitaram neste sábado (9) criticar a Rússia pela invasão da Ucrânia e adotaram um consenso mínimo sobre a mudança climática, que não inclui a eliminação do uso de combustíveis fósseis.
No final do primeiro dos dois dias da sua cúpula em Nova Délhi, os países do G20 encontraram uma linguagem de consenso mínima que é aceitável tanto para a Rússia como para os países que apoiam a Ucrânia na guerra que começou há mais de um ano e meio.
Nas questões climáticas, o acordo é tão básico que foi aceito por países que defendem a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e por grandes produtores de petróleo como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e a Rússia.
As divisões no bloco das 20 maiores economias do mundo ameaçaram encerrar a cúpula de sábado e domingo sem uma posição final, mas a anfitriã Índia pressionou para que uma declaração fosse acordada.
Em relação ao conflito na Ucrânia, o grupo denunciou o uso da força para obter ganhos territoriais, mas evitou criticar diretamente a Rússia pela sua invasão lançada em fevereiro de 2022.
"Houve diferentes critérios e avaliações da situação", disse a declaração.
Embora os Estados Unidos e a União Europeia (UE) tenham tentado evitar uma declaração diluída sobre a Ucrânia, um alto funcionário da Casa Branca disse estar satisfeito com o resultado.
"Do nosso ponto de vista, fez um trabalho muito bom", comentou o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, sobre a declaração.
Ele observou que o G20 defende "o princípio de que os Estados não podem usar a força para procurar conquistas territoriais ou violar a integridade, a soberania territorial ou a independência política de outros Estados".
- Combustíveis fósseis -
No que diz respeito ao clima, o G20 também conseguiu encontrar um mínimo denominador comum, mas evitou o compromisso de eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.
A eliminação desta energia poluente foi considerada na sexta-feira “indispensável” pela ONU para atingir a meta de zero emissões líquidas.
O grupo se comprometeu a triplicar as fontes de energia renováveis até 2030 e a “eliminar gradualmente” o carvão “de acordo com as circunstâncias nacionais”.
Os países do G20 representam cerca de 85% das emissões de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global. O observatório europeu Copernicus alertou esta semana que este ano se prepara para ser o mais quente da história.
A questão climática foi levantada na reunião pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que alertou: "O descompromisso com o meio ambiente nos leva a uma emergência climática sem precedentes".
"As secas, enchentes, tempestades e queimadas se tornam mais frequentes e minam a segurança alimentar e energética", acrescentou Lula, cujo país acolherá a cúpula climática da ONU COP30 em 2025.
Ele também anunciou que a crise climática fará parte da agenda do G20 quando o Brasil assumir a presidência do fórum em 2024 e realizar a próxima cúpula no Rio de Janeiro.
A América Latina também está representada na cúpula pelo presidente argentino Alberto Fernández, enquanto o mexicano Andrés Manuel López Obrador não compareceu.
"Este G20 tinha que mostrar o caminho para um futuro sem combustíveis fósseis", disse Friederike Roder, vice-presidente da organização Global Citizen, em comunicado.
"Embora reconheça as conclusões (da ONU) sobre a redução das emissões em 43% até 2030, não menciona nada sobre a eliminação progressiva de todos os combustíveis fósseis, não apenas do carvão".
Por esta razão, descreveu-o como "um sinal terrível para o mundo, especialmente para os países mais pobres e para as populações mais vulneráveis".
- Boas-vindas à União Africana -
Em uma guinada para se posicionar como interlocutor do Sul Global, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, formalizou na sessão deste sábado a incorporação da União Africana (UA) como membro permanente do G20.
"Com a aprovação de todos, peço ao chefe da UA para que tome o seu lugar como membro permanente do G20", disse Modi antes de abraçar o presidente das Comores, Azali Assoumani, que lidera o bloco africano de 55 nações.
O G20 nasceu em plena crise financeira de 2008 como um mecanismo para estabilizar a economia mundial. Mas ao longo dos anos, demonstrou os seus limites na obtenção de consenso entre parceiros divergentes.
As diferenças entre os países membros tornaram-se evidentes antes desta cúpula, quando o presidente chinês, Xi Jinping, se recusou a participar sem dar uma explicação oficial, embora os analistas apontem como razão as disputas fronteiriças históricas entre o seu país e a Índia.
O presidente russo, Vladimir Putin, também não compareceu e foi representado pelo seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.
A cúpula também lançou um plano ambicioso para desenvolver uma conexão infraestrutural entre Índia, Oriente Médio e Europa, que impulsionará o comércio em uma área que representa quase um terço da economia mundial.
Os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a União Europeia, os Emirados Árabes Unidos e outros assinaram o acordo, que incluirá projetos ferroviários, de eletricidade, de dados e de um gasoduto de hidrogênio, disseram as autoridades à AFP.
I.Meyer--BTB