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Azerbaijão lança operação militar em Nagorno-Karabakh
O Azerbaijão lançou uma operação militar em Nagorno-Karabakh nesta terça-feira (19), três anos depois da guerra anterior, e pediu a retirada "total e incondicional" de seu rival armênio deste enclave montanhoso no Cáucaso, há três décadas sob disputa.
O Ministério da Defesa do Azerbaijão anunciou, pela manhã, o lançamento de "operações antiterroristas", destinadas a neutralizar "as posições das Forças Armadas armênias".
Baku justificou seu ataque pela morte, na madrugada de terça-feira, de quatro policiais e de dois civis azerbaijanos, vítimas da explosão de minas em uma zona sob seu controle em Nagorno Karabakh, uma região de maioria armênia localizada no Azerbaijão.
Os serviços de segurança acusaram um grupo de "sabotadores" separatistas armênios de terem colocado essas minas e, com isso, terem cometido um ato de "terrorismo", após outros incidentes atribuídos às forças armênias nas últimas horas.
A tensão não para de crescer neste território, palco de duas guerras entre Yerevan e Baku, a última delas no final de 2020.
O governo de Yerevan denunciou rapidamente uma "agressão em grande escala", destinada a fazer uma "limpeza étnica" no enclave, e instou a Rússia, que tem uma força de manutenção da paz no local e é garante do cessar-fogo de 2020, a "deter a agressão azerbaijana".
A Rússia disse ter sido avisada da operação no Azerbaijão "minutos" antes.
"A parte russa pede, urgentemente, o fim do derramamento de sangue (...) e o retorno a um acordo pacífico", disse a porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, aos jornalistas.
A UE urgiu Baku a pôr fim à operação "imediatamente", e o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashynian, convocou seu conselho de segurança em caráter de urgência.
- Fogo intenso -
A diplomacia azerbaijana avisou que a paz será possível apenas com "a retirada incondicional e total das forças armadas armênias da região azerbaijana de Karabakh e a dissolução do suposto regime" separatista do território.
A Armênia garantiu que não tem Forças Armadas mobilizadas em Nagorno-Karabakh, o que implica que seus aliados separatistas estão sozinhos para enfrentar as "operações antiterroristas" lançadas pelo Azerbaijão.
Os separatistas armênios afirmaram que a capital de Nagorno-Karabakh, Stepanakert, e outras cidades estavam sob "fogo intenso" e acusaram o Azerbaijão de realizar uma "operação militar de grande envergadura".
Afirmaram, ainda, que estão fazendo o possível para "resistir" ao Exército azerbaijano, que tenta avançar "em profundidade" no enclave.
Baku disse que informou Rússia e Turquia sobre suas operações e garantiu que visa apenas a "alvos militares legítimos". O país disse que abriu corredores humanitários para permitir a saída de civis.
- Duas guerras -
Nagorno-Karabakh proclamou sua independência de Baku na esteira da desintegração da URSS, o que deflagrou um conflito armado vencido pelos separatistas armênios no início da década de 1990.
Trinta anos depois, no outono de 2020, as Forças Armadas do Azerbaijão tiveram sua revanche e recuperaram vários territórios na região.
Após seis semanas de tratativas, foi assinado um cessar-fogo mediado pela Rússia, seguido pelo envio de forças de manutenção da paz por parte de Moscou. Apesar disso, os incidentes armados não pararam de se multiplicar na fronteira.
A tensão havia diminuído um pouco na segunda-feira (18), com a entrada de ajuda humanitária em Nagorno-Karabakh.
Yerevan acusou o Azerbaijão de causar uma crise neste território, ao manter o corredor de Lachin, o único que liga Armênia ao enclave, bloqueado desde o final de 2022.
Em julho, em uma entrevista à AFP, o primeiro-ministro armênio afirmou que uma nova guerra com o Azerbaijão era "muito provável".
A.Gasser--BTB