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Rússia acusa Kiev de ter papel 'chave' no ataque a aeroporto do Daguestão
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou a Ucrânia, nesta segunda-feira (30), de ter desempenhado um papel "chave" no ataque anti-Israel que aconteceu no domingo em um aeroporto da república russa do Daguestão, de maioria muçulmana.
Uma multidão invadiu o aeroporto no domingo (29), em um momento de grande tensão provocada pelos bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza, em represália ao sangrento ataque do Hamas no sul de Israel em 7 de outubro.
Os confrontos foram "o resultado de uma provocação planejada e dirigida do exterior", na qual Kiev desempenhou um papel "chave e direto", disse a porta-voz do ministério, Maria Zakharova, em um comunicado divulgado nesta segunda.
O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, já havia indicado que os acontecimentos foram "em grande parte resultado de ingerência externa", sem especificar a origem.
Segundo Peskov, com as "imagens na televisão dos horrores que ocorrem na Faixa de Gaza", é "muito fácil para os inimigos se aproveitarem delas e provocarem a situação".
O Kremlin também informou que o presidente russo, Vladimir Putin, abordará "as tentativas ocidentais de usar os acontecimentos no Oriente Médio para dividir a sociedade russa", em uma reunião hoje à noite.
"O que aconteceu foi uma tentativa de semear a discórdia entre muçulmanos e judeus na Rússia, que mantêm boas relações de amizade e cooperação durante séculos", declarou o patriarca Kirill, chefe da Igreja Ortodoxa russa e um ferrenho defensor de Putin, também em uma nota.
- Busca de passageiros -
Vídeos publicados nas redes sociais e por veículos da imprensa russa mostraram um grupo de pessoas inspecionando os veículos que deixavam o aeroporto, derrubando portas no terminal e cercando um avião na pista.
Um dos manifestantes levava um cartaz que dizia "os assassinos de crianças não têm lugar no Daguestão", de acordo com um dos vídeos.
O site Flightradar informou que um voo da companhia Red Wings procedente de Tel Aviv pousou em Makhachkala às 19h (13h de Brasília).
O site independente russo Sota informou que era um voo de trânsito, que decolaria em direção a Moscou duas horas mais tarde.
As autoridades locais não informaram até o momento se o voo e os passageiros conseguiram seguir a viagem.
Nesta segunda, um grande dispositivo de segurança cercava o aeroporto, enquanto os funcionários começavam a reparar as barreiras danificadas, conforme um jornalista da AFP presente no local.
O aeroporto sofreu "danos significativos", relatou seu diretor-geral, mas conseguiu reabrir na tarde de hoje, de acordo com a agência de aviação russa.
A polícia prendeu 60 pessoas, e mais de 150 "participantes ativos nos distúrbios" foram identificados, informou um comunicado do Ministério russo do Interior, acrescentando que nove policiais ficaram feridos e dois deles foram hospitalizados.
- 'Traidores' da Ucrânia -
Serguei Melikov, presidente do Daguestão, uma república do Cáucaso russo, afirmou nesta segunda-feira que os distúrbios foram organizados em território ucraniano, em pleno conflito armado entre Kiev e Moscou.
"Os iniciadores desta ação são evidentemente nossos inimigos, os que a organizaram no território ucraniano", disse Melikov, segundo a agência Ria-Novosti.
Melikov acusou, em particular, um canal de Telegram crítico às autoridades locais, "Utro Daguestão", liderado por "traidores" da Ucrânia.
O canal, que tem quase 60.000 seguidores, divulgou uma convocação de protesto no aeroporto de Makhachkala no domingo à noite para impedir a chegada de passageiros "indesejáveis" no voo da Red Wings procedente de Tel Aviv.
Durante os incidentes, Israel pediu à Rússia para proteger "todos os cidadãos israelenses e todos os judeus". O governo dos Estados Unidos condenou as "manifestações antissemitas".
A agência de notícias RIA Novosti reportou no domingo que um centro judaico foi incendiado em Nalchik, a capital de Kabardia-Balkaria, outra república do Cáucaso Norte.
B.Shevchenko--BTB