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Hungria mantém desafio à UE e bloqueia ajuda financeira para Ucrânia
A Hungria bloqueou nesta sexta-feira (15) um novo pacote de ajuda financeira da União Europeia (UE) à Ucrânia, depois que Bruxelas decidiu iniciar negociações formais para a adesão com Kiev.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, impediu durante a madrugada, em uma reunião de cúpula de líderes europeus, um acordo sobre a ajuda financeira para a Ucrânia em sua guerra contra a Rússia.
A UE havia aprovado um pouco antes a decisão histórica de iniciar negociações de adesão com a Ucrânia, mas fracassou na aprovação do pacote de ajuda de 50 bilhões de euros (55 bilhões de dólares, 270 bilhões de reais).
Em uma entrevista a uma rádio húngara, Orban afirmou que o veto seria retirado apenas em caso de liberação dos fundos da UE destinados a seu país, que foram bloqueados por dúvidas sobre a vigência do Estado de Direito.
"Sempre disse que se alguém quiser apresentar uma emenda ao orçamento da UE (...) a Hungria aproveitaria a ocasião para reivindicar claramente o que merece. Não a metade, não um quarto, e sim a totalidade", declarou o chefe de Governo nacionalista.
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirmou durante a madrugada que os líderes da UE devem voltar a abordar o tema em janeiro.
- "Uma vitória" -
A quinta-feira (14) foi marcada pela decisão histórica da UE de iniciar negociações formais com a Ucrânia e Moldávia para a adesão dos dois países ao bloco.
Além disso, a UE concordou em conceder à Geórgia a condição de país aspirante à adesão.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou na rede social X que a decisão é "uma vitória para a Ucrânia. Uma vitória para toda a Europa".
Esta era a decisão mais importante que os dirigentes da UE tinham em mãos na cúpula que começou na quinta, já que a oposição da Hungria para abrir as negociações parecia inflexível.
O processo de adesão à UE normalmente demora vários anos, período de longas negociações e implementação de reformas. Em alguns casos pode durar mais de uma década.
- Orban se ausenta da sala -
Fontes diplomáticas afirmaram à AFP que Orban aceitou se ausentar temporariamente da sala de reuniões no momento em que os 26 países restantes do bloco aprovaram a moção sobre as negociações com a Ucrânia.
Zelensky conversou com seus colegas europeus por videoconferência e, em seu pronunciamento, os advertiu que rejeitar o diálogo representaria um fracasso para a Ucrânia que a Rússia utilizaria em seu favor.
Por sua vez, a presidente da Moldávia, Maia Sandu, afirmou no X que seu país "virou hoje uma página com o sinal verde da UE para as conversas de adesão".
Esta decisão aconteceu no momento em que se acumulavam as dúvidas sobre a continuidade do apoio dos países ocidentais à Ucrânia em sua guerra contra a invasão russa, que começou em fevereiro de 2022.
O chefe de Governo da Alemanha, Olaf Scholz, se manifestou pelas redes sociais indicando que a decisão constitui "um forte sinal de apoio" à Ucrânia.
Para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, trata-se de "um dia que permanecerá gravado na história de nossa União".
Já o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que foi uma resposta "lógica, justa e necessária".
Por sua vez, o primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, assinalou que é "uma poderosa mensagem geoestratégica também para o resto do mundo, não somente para a Rússia".
Durante a reunião, segundo Varadkar, Orban "apresentou seus argumentos e de maneira muito enfática. Ele está em desacordo com esta decisão [...] mas essencialmente decidiu não utilizar seu poder de veto".
A UE anunciou na quarta-feira, véspera da reunião, o desbloqueio de pagamentos a Hungria de até 10,2 bilhões de euros (11 bilhões de dólares, 54 bilhões de reais) que haviam sido congelados por dúvidas sobre o funcionamento do Estado de direito no país.
R.Adler--BTB