-
Incêndio em base militar mata quatro soldados no Canadá
-
Confrontos em Milão após protesto contra o custo de vida
-
Paris registra novos confrontos e saques após dia de protestos
-
Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate a uma semana do 2º turno
-
Leverkusen vence Freiburg (2-1) e Bayern volta a liderar a Bundesliga
-
PSG perde lateral Nuno Mendes para duelo contra o Barça na Champions
-
Polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar novo protesto em Paris
-
Dibu Martínez sofre fratura na mandíbula e ficará afastado por várias semanas
-
Rubio chega ao Uzbequistão para reforçar laços com a Ásia Central
-
Com virada épica, Davidovich vence Jódar e conquista Masters 1000 de Xangai
-
Um dia como qualquer outro em Kiev, sob os ataques russos
-
Nova geração de democratas desafia domínio republicano e lealdade a Trump no Texas
-
UE 'condena energicamente' ataque de colonos contra comitiva diplomática na Cisjordânia
-
Rússia e Ucrânia trocam ataques contra infraestruturas energéticas
-
'Como uma guerra': Paris amanhece atônita diante da violência
-
Papa saúda multidão no Vaticano pela primeira vez desde sua cirurgia de câncer
-
França avalia os danos após distúrbios 'sem precedentes' em protestos contra o custo de vida
-
Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em seu primeiro debate a uma semana do 2º turno
-
Manifestantes ocupam praça de Lisboa em protesto contra aumento do custo de vida
-
EUA exime Rússia de novas sanções e Moscou comemora
-
França registra distúrbios e saques após protestos contra custo de vida elevado
-
Inter de Milão vence Bologna de virada (3-1) e lidera Italiano
-
Dembélé brilha e PSG vence Strasbourg de virada (3-1) no Francês
-
Bayern goleia Leipzig (6-1) com hat-trick de Luis Díaz e lidera a Bundesliga
-
Colonos israelenses atacam comitiva de diplomatas europeus na Cisjordânia
-
Barça derrota Betis (5-2) e mantém campanha 100% no Espanhol
Equador em 'estado de guerra' enfrenta terror do tráfico pelo 3º dia
Ruas desertas, comércios fechados e o centro de Quito militarizado. Um Equador imerso em um "estado de guerra" enfrenta nesta quarta-feira (10), pelo terceiro dia consecutivo, o poder do narcotráfico sob um clima de pânico e cansaço.
"[Hoje sinto] um pouco de raiva, ontem foi medo", disse à AFP Fernando Escobar, dono de uma cafeteria na capital equatoriana.
Desde domingo, várias quadrilhas criminosas e traficantes de drogas têm demonstrado sua força em retaliação aos planos do presidente Daniel Noboa de subjugá-los com mão de ferro: mais de uma centena de policiais e funcionários penitenciários mantidos reféns por detentos, agressões a jornalistas e inúmeros ataques armados que resultaram em 14 mortes, de acordo com o balanço mais recente.
"Estamos em um estado de guerra e não podemos ceder a esses grupos terroristas", afirmou Noboa à rádio Canela nesta quarta-feira, depois de declarar na terça o país em "conflito armado interno".
Dezenas de militares protegem a sede presidencial no centro de Quito, enquanto no norte, o Parque La Carolina, um dos maiores da cidade de quase três milhões de habitantes, está vazio sem seus habituais praticantes de esportes.
Poucos carros circulam nas avenidas da capital e em Guayaquil (sudoeste), a cidade portuária que se tornou nos últimos anos o epicentro do tráfico de drogas para os Estados Unidos e a Europa.
A ofensiva de organizações criminosas, ligadas a cartéis do México e da Colômbia, incluiu uma invasão inusitada e espetacular gravada ao vivo na terça-feira. Homens armados com fuzis e granadas ocuparam um canal público de televisão durante o noticiário do meio-dia, ameaçaram jornalistas e atiraram em dois funcionários.
Não houve mortes, e vários agressores foram presos.
O ataque em Guayaquil à sede do canal TC Televisión aumentou o pânico entre a população, que rapidamente saiu das ruas para se proteger em suas casas.
"O susto que passamos ontem foi forte. Hoje, não estamos seguros, qualquer coisa pode acontecer", declarou Luis Chiliguano, um segurança de 53 anos que prefere "se esconder" a "enfrentar a delinquência, que está melhor armada".
- "Grande coragem" -
Diante da nova onda de violência, o presidente Noboa anunciou uma guerra frontal contra cerca de vinte organizações, que juntas somam mais de 20 mil membros, e atribuiu status de "beligerante" às quadrilhas.
"Este governo está tomando as ações necessárias que nos últimos anos ninguém quis tomar. E para isso é necessário ter grande coragem, não coragem de papelão", declarou o presidente de 36 anos em uma entrevista à rádio.
O terror se impôs após a fuga de Adolfo Macías, conhecido como "Fito", chefe da principal quadrilha criminosa do país, Los Choneros, que estava detido em uma prisão de Guayaquil.
Centenas de soldados e polícias procuram Fito, enquanto vigora um estado de exceção em todo o país, inclusive nos presídios, além de um toque de recolher obrigatório de seis horas, a partir das 23h locais (1h em Brasília).
Na terça-feira, outro chefe do crime escapou da prisão. Fabricio Colón Pico, um dos chefões de Los Lobos, é acusado de sequestro e planejamento do assassinato da procuradora-geral.
Os detentos se amotinaram em diferentes prisões e detiveram mais de 100 agentes penitenciários.
- Preocupação internacional -
Nesta quarta-feira, os Estados Unidos se disseram dispostos a "enfrentar a violência", mas descartaram um "apoio militar".
O Peru declarou sob estado de emergência toda sua fronteira com o Equador, enquanto a Colômbia militarizou seu território fronteiriço.
Brasil, Colômbia, Chile, Venezuela, República Dominicana, Espanha, União Europeia (UE) e a ONU rejeitaram a violência. França e Rússia advertiram seus cidadãos para não viajarem para o Equador.
Localizado entre Colômbia e Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, o Equador foi, durante muitos anos, um país a salvo do narcotráfico. Nos últimos tempos, porém, foi transformado em um novo baluarte do tráfico de drogas, com cerca de 20 quadrilhas disputando o controle do território, mas unidas em sua guerra contra o Estado.
O ano de 2023 terminou com mais de 7.800 homicídios e 220 toneladas de drogas apreendidas, novos recordes nesse país de 17 milhões de habitantes.
Noboa chegou ao poder em novembro como o presidente mais jovem da história do país, com a promessa de enfrentar o tráfico de drogas com mão forte. Foi eleito por 18 meses para completar o mandato de quatro anos de seu antecessor, Guillermo Lasso.
Fito cumpria pena de 34 anos na Penitenciária Regional de Guayaquil por crime organizado, tráfico de drogas e homicídio. A imagem em que aparece com sobrepeso e os cabelos desgrenhados deu a volta ao mundo após o assassinato, em agosto, do candidato presidencial Fernando Villavicencio, que o havia denunciado dias antes por ameaças.
C.Kovalenko--BTB