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Catar anuncia 'confirmação preliminar positiva' do Hamas a proposta de trégua com Israel
O Hamas deu uma "confirmação preliminar positiva" a uma proposta de trégua e de libertação de reféns em Gaza já aprovada por Israel, assegurou, nesta quinta-feira (1º), o Catar, que media para alcançar uma pausa na guerra que devasta a Faixa de Gaza há quase quatro meses.
"O caminho que ainda temos a percorrer é muito difícil. Mas estamos otimistas, porque as duas partes aceitaram as premissas que levarão a uma pausa [nos combates]. Esperamos estar em condições de anunciar boas notícias nas próximas duas semanas", indicou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al Ansari.
Representantes de Estados Unidos, Catar, Egito e Israel elaboraram no fim de semana em Paris uma proposta de trégua e de troca de reféns em cativeiro em Gaza por prisioneiros palestinos detidos em Israel.
"Esta proposta foi aprovada pela parte israelense e agora temos uma confirmação preliminar positiva do Hamas", acrescentou al Ansari.
No entanto, uma fonte do Hamas disse à AFP que "ainda não há acordo sobre a implementação" da proposta e que "a declaração do Catar tinha sido apressada e não é certa".
O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, que vive exilado no Catar, deverá chegar ao Egito nesta quinta ou sexta-feira e se espera que aborde esta proposta lá.
Uma fonte do Hamas havia indicado que o movimento islamista, no poder em Gaza desde 2007, analisava uma proposta que consiste em três fases.
A primeira incluiria uma trégua de seis semanas durante a qual Israel libertaria entre 200 e 300 prisioneiros palestinos em troca de 35 a 40 reféns. Além disso, entre 200 e 300 caminhões de ajuda humanitária poderiam entrar em Gaza todos os dias.
Em 7 de outubro, combatentes do movimento islamista entraram no sul de Israel e mataram 1.163 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses. Também sequestraram cerca de 250 pessoas e as levaram para a Faixa de Gaza. Mais de 100 pessoas foram libertadas em uma primeira trégua em novembro, em uma troca com prisioneiros palestinos.
Em resposta ao ataque, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre para "aniquilar" o Hamas, grupo classificado como terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Esta operação já deixou mais de 27 mil mortos, a maioria mulheres, crianças e adolescentes, segundo o balanço atualizado do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo movimento islamista.
O Hamas exige um cessar-fogo completo como pré-condição para qualquer acordo, enquanto o governo israelense se limita a falar em uma pausa nos combates, mas não em terminar a sua operação em Gaza.
Para reforçar a negociação de uma segunda trégua, o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, voltará ao Oriente Médio "nos próximos dias", disse uma fonte de alto escalão do governo do país.
- EUA sanciona colonos israelenses -
Os Estados Unidos impuseram sanções contra um grupo de colonos judeus acusados de violência contra civis palestinos na Cisjordânia ocupada, em uma rara medida destinada a punir pessoas acusadas de atentados, "atos de terrorismo" ou que "minam a paz, a estabilidade e a segurança" no território.
A violência dos colonos judeus alcançou "níveis intoleráveis", escreveu o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em sua ordem executiva.
O governo de Israel rejeitou as sanções, ao considerar que "não há lugar para medidas excepcionais" contra os colonos da Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967.
"A absoluta maioria dos colonos da Judeia e Samaria [Cisjordânia] é de cidadãos respeitosos da lei e muitos combatem atualmente pela defesa de Israel. Israel age contra todos que violam a lei em todas as partes", afirmou em um comunicado o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Os colonos israelenses mataram pelo menos 10 palestinos e incendiaram dezenas de casas na Cisjordânia ocupada em 2023, segundo o grupo de direitos humanos Yesh Din.
- Território 'inabitável' -
Em Gaza, várias testemunhas relataram bombardeios noturnos israelenses perto do hospital Nasser, em Khan Yunis, a grande cidade no sul de Gaza onde Israel acredita que alguns líderes do Hamas estão escondidos.
Mais de 30 mil deslocados buscaram refúgio nesta cidade parcialmente destruída, onde sofrem com a falta d'água, de alimentos e de medicamentos por causa do "cerco total" imposto por Israel, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
A população está "morrendo de fome" e "está à beira do abismo", alertou na quarta-feira o diretor do programa de emergências sanitárias da Organização Mundial da Saúde, Michael Ryan.
Além disso, o território é "inabitável", com metade dos seus edifícios destruídos, afirmou em um relatório a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
Segundo a ONU, a guerra obrigou 1,7 milhão dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza a fugir de suas casas.
A situação corre o risco de ser agravada pela suspensão de doações de vários países à Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), depois que Israel acusou 12 funcionários do organismo de envolvimento no ataque do Hamas em 7 de outubro.
A agência, que afirmou que poderia ser obrigada a acabar com as suas operações "no final de fevereiro", foi nomeada nesta quinta-feira por um político norueguês para o Prêmio Nobel da Paz "por seu trabalho para proporcionar um apoio crucial à Palestina e à região".
L.Janezki--BTB