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Novos combates entre Israel e Hamas em Gaza à espera de uma trégua
Os combates entre o Exército israelense e o movimento islamista palestino Hamas prosseguiram nesta sexta-feira (2) na Faixa de Gaza, à espera de uma trégua que permita enviar ajuda humanitária ao território devastado, após quase quatro meses de guerra e uma troca de reféns por presos palestinos.
Milhares de palestinos continuaram o êxodo das zonas afetadas pelos combates mortais entre o Exército israelense e os combatentes islamistas na Faixa de Gaza, governada pelo Hamas.
O Ministério da Saúde do Hamas registrou 112 mortos nas últimas 24 horas em Gaza, assediada por Israel e em grande parte destruída após quatro meses de guerra.
A assessoria de imprensa do movimento islamista relatou bombardeios perto de Khan Yunis, a maior cidade do sul do território, que se tornou o principal cenário das operações israelenses nas últimas semanas.
Vídeos da AFP mostram pessoas fugindo de disparos nesta localidade. O Crescente Vermelho palestino afirmou, por sua vez, que franco-atiradores de Israel estavam disparando contra um de seus edifícios, onde milhares de pessoas estão refugiadas.
Segundo dados processados a partir de imagens do Centro de Satélites das Nações Unidas (Unosat), "aproximadamente 30%" da infraestrutura da Faixa de Gaza já tinha sido danificada entre 6 e 7 de janeiro, quando já havia se passado três meses de guerra.
Segundo a ONU, mais de 1,3 milhão de habitantes do território palestino de seus quase 2,4 milhões, estão amontoados em Rafah, no extremo sul do território, que antes da guerra tinha 250 mil habitantes, vivendo em condições catastróficas, à beira da fome e de epidemias.
As fortes chuvas desta sexta-feira inundaram as barracas e as lonas de plástico que se multiplicam por todas as ruas da cidade, segundo imagens da AFP.
Ao menos 17 mil crianças foram separadas dos pais na Faixa ou estão desacompanhadas desde o início da guerra, segundo uma estimativa da ONU. "Cada uma delas tem uma história comovente de dor e perda", disse Jonathan Crickx, porta-voz do Unicef nos Territórios Palestinos.
- Otimismo do Catar com trégua -
O conflito foi desencadeado em 7 de outubro com uma operação de comandos islamistas que mataram cerca de 1.160 pessoas, na maioria civis, e sequestraram cerca de 250 no sul de Israel, segundo um balanço da AFP a partir de dados oficiais israelenses.
Israel afirma que 132 reféns continuam detidos em Gaza, dos quais acreditam que 27 tenham morrido.
Em resposta ao ataque, Israel iniciou uma ofensiva aérea e terrestre para "aniquilar" o movimento islamista, considerado um grupo terrorista por Estados Unidos e União Europeia, que deixou 27.131 mortos, a maioria mulheres e menores de idade, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
Na frente diplomática, os esforços continuam para tentar obter uma segunda trégua, após a de novembro, que permitiu a libertação de uma centena de reféns em troca da soltura de quase 300 prisioneiros palestinos.
Representantes de Estados Unidos, Catar, Egito e Israel redigiram uma proposta de trégua e troca de reféns em Paris, que segundo uma fonte do Hamas é composta por três fases.
A primeira incluiria uma trégua de seis semanas, período em que Israel libertaria de 200 a 300 presos palestinos em troca de 35 a 40 reféns. Além disso, entre 200 e 300 caminhões de ajuda humanitária poderiam entrar diariamente em Gaza.
O Catar informou que Israel aprovou a proposta e que recebeu "uma confirmação preliminar positiva do Hamas", embora uma fonte do grupo indicou que ainda "não há um acordo sobre sua implementação".
Os líderes do Hamas, Ismail Haniyeh, e do grupo aliado Jihad Islâmica, Ziad al Nakhala, conversaram sobre esta proposta e reafirmaram que "qualquer negociação deve resultar no fim da agressão" e na retirada israelense de Gaza, segundo um comunicado do gabinete de Haniyeh.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, embora pressionado pelas famílias dos reféns para alcançar um acordo, garantiu que não encerrará a ofensiva em Gaza até que o Hamas seja erradicado e que todos os sequestrados sejam libertados.
- Bombardeios americanos -
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, iniciará no domingo um novo giro regional, passando por Catar, Egito, Israel, Cisjordânia e Arábia Saudita, no qual pressionará pela libertação de reféns em troca de uma "pausa humanitária", anunciou seu departamento.
Esta nova viagem de Blinken foi precedida por bombardeios dos Estados Unidos contra posições de grupos pró-iranianos na Síria e no Iraque em retaliação à morte de três soldados americanos em uma base na Jordânia.
O presidente Joe Biden afirmou que seu país "não busca conflitos no Oriente Médio", mas advertiu que a resposta a esses ataques "continuará".
Antes disso, o presidente do Irã, Ebrahim Raissi, havia alertado que seu país "responderá com firmeza" a qualquer ataque de retaliação dos Estados Unidos.
A guerra em Gaza exacerbou as tensões entre Israel e seu aliado americano, por um lado, e o chamado "eixo de resistência", que inclui o Hamas, o grupo xiita libanês Hezbollah, milícias iraquianas e rebeldes huthis no Iêmen.
C.Kovalenko--BTB