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EUA anunciam novas sanções e Putin elogia 'heróis russos'
Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (23) novas sanções contra a Rússia, na véspera do segundo aniversário do início da ofensiva russa na Ucrânia, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou o trabalho "dos heróis" que lutam no país vizinho.
"Se Putin não pagar o preço da morte e da destruição (que provoca), vai continuar", alertou o presidente americano, Joe Biden, em um comunicado.
Biden anunciou um pacote de medidas contra indivíduos vinculados à prisão do opositor Alexei Navalny, morto na prisão em 16 de fevereiro, contra a máquina de guerra russa, o sistema de pagamento russo Mir e uma centena de entidades que ajudam Moscou a burlar as sanções.
Como parte das sanções, Washington incluiu 14 navios-petroleiros russos em uma lista negra, a fim de que o teto do preço do petróleo russo estabelecido pelo Ocidente após a invasão à Ucrânia seja respeitado.
O presidente democrata voltou a pedir aos congressistas americanos, nesta sexta-feira, que desbloqueiem recursos adicionais para a Ucrânia, que está ficando sem munições. "Não podemos nos retirar agora", disse Biden na Casa Branca.
A Ucrânia tem ficado fragilizada pelo bloqueio da ajuda americana, o fracasso de sua contraofensiva no verão boreal e por uma escassez de munições cada vez mais acentuada.
O embaixador russo em Washington, Anatoli Antonov, criticou, por sua vez, as medidas como "outra tentativa descarada e cínica de interferir nos assuntos internos da Federação Russa".
A Rússia comemora todo 23 de fevereiro o "Dia dos Defensores da Pátria", que este ano coincide com vários sucessos militares das tropas russas na Ucrânia.
Em um vídeo transmitido nesta sexta, Putin homenageou, em tom solene, os "participantes da operação especial" na Ucrânia que, segundo ele, "lutam pela verdade e pela justiça" ao "defender a Rússia".
"Vocês são os autênticos heróis do nosso povo", declarou o líder russo, que, como faz anualmente, visitou o túmulo do soldado desconhecido, ao pé da muralha do Kremlin.
- Rearmamento -
Durante uma reunião da Assembleia Geral da ONU, nesta sexta, o ministro ucraniano das Relações Exteriores acusou a Rússia de "ignorar a voz" da maioria.
"Infelizmente, a Rússia ignora a vontade da maioria mundial, continua com sua agressão e lança cada vez mais pessoas nas chamas da guerra", disse Dmitro Kuleba.
Além disso, o mandatário pediu ao Congresso americano a aprovação de outro pacote de ajuda ao seu país. Os republicanos bloqueiam a aprovação de um envio de 60 bilhões de dólares (cerca de 300 bilhões de reais) para a Ucrânia.
Nos últimos dias, Putin fez vários gestos de apoio ao exército russo: condecorou militares e voou em um caça estratégico, com o país concentrado no esforço bélico, que provocou um aumento expressivo da produção de equipamento militar e o recrutamento de centenas de milhares de soldados.
Nesta sexta, ele destacou as entregas de mísseis, drones, blindados, artilharia e elementos de defesa antiaérea. "Com a nossa experiência de combate atual, continuaremos reforçando as Forças Armadas", defendeu.
Segundo fontes americanas, a Rússia teria registrado até 120.000 baixas na Ucrânia, mas recrutou cerca de meio milhão de efetivos em 2023 e quase 53.000 em janeiro deste ano, de acordo com dados oficiais.
A três semanas das eleições presidenciais, que acontecerão nos dias 15, 16 e 17 de março, Putin aborda o segundo aniversário do início da ofensiva de uma posição favorável, depois que o primeiro ano foi marcado pelo fracasso da ofensiva contra Kiev e por várias retiradas humilhantes de soldados russos.
A recente conquista de Avdiivka representa a oportunidade de se apresentar como vencedor.
- Mariinka, 'ponto quente' do front -
Líderes ocidentais chegaram hoje à Ucrânia com o objetivo de reafirmar apoio político a Kiev. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, chegou a Lviv, no oeste do país, assim como o senador americano Chuck Schumer.
Moscou anunciou ter ampliado sua lista de funcionários da UE proibidos de entrar na Rússia, em resposta às novas sanções europeias, que visam especialmente a três empresas chinesas que forneceram armas ao Exército russo.
A Ucrânia afirmou hoje que derrubou um avião de reconhecimento russo A-50U sobre o mar de Azov. A Rússia não comentou o assunto.
Os bombardeios contra a Ucrânia continuam. O Estado-Maior do país informou hoje que foram registrados durante a noite ataques com drones e mísseis russos.
Um bombardeio noturno matou três pessoas em Odessa, sul da Ucrânia, segundo a polícia.
Além disso, o Exército russo realizou uma centena de ataques nas últimas 24 horas no leste do país, quase metade deles em torno de Mariinka, que se tornou um novo "ponto quente" do front, juntamente com a região de Avdiivka, indicou o Exército ucraniano.
No front, os soldados ucranianos, esgotados, enfrentam a falta de munições de artilharia, consequência dos atrasos na ajuda europeia e das dúvidas sobre o auxílio de Washington.
"Não temos as armas que eles têm. Você sabe, eles têm fábricas que produzem (armas). E nós? Nós tempos que implorar por armas", disse Oleksii, um soldado da infantaria, perto de Avdiivka.
O.Lorenz--BTB