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Rússia reivindica novos avanços em ofensiva na região ucraniana de Kharkiv
A Rússia reivindicou neste domingo (12) a conquista de outras quatro localidades na região de Kharkiv, nordeste da Ucrânia, de onde mais de 4.000 pessoas foram retiradas em meio a uma ofensiva terrestre lançada pelas tropas russas na sexta-feira.
"Um total de 4.073 pessoas foram evacuadas", escreveu o governador de Kharkiv, Oleg Synegubov, nas redes sociais, um dia após as forças russas reivindicarem a captura de cinco localidades na região.
O Ministério da Defesa russo anunciou mais tarde a conquista de outras quatro cidades muito próximas da fronteira russa: Gatiche, Krasnoye, Morokhovets e Oleynikovo.
Neste domingo, o governador de Kharkiv declarou que "todas as áreas da fronteira norte estão sob fogo inimigo quase 24 horas por dia", afirmando que a "situação é difícil".
Synegubov informou ainda que um homem de 63 anos foi morto por fogo de artilharia na localidade de Glyboke e que outro de 38 anos foi ferido em Vovchansk, uma cidade fronteiriça que tinha uma população de cerca de 3.000 habitantes antes da atual ofensiva.
Desde sexta-feira (10), as forças russas fizeram pequenos avanços nesta zona na fronteira ucraniana, que já invadiram em 2022 e da qual foram posteriormente expulsas no mesmo ano.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, indicou na noite de sábado que as tropas de seu país lançaram contra-ataques às cidades da região.
"Alterar os planos ofensivos russos é agora a nossa principal tarefa", declarou ele, instando os países aliados a acelerar o envio de armas.
As autoridades de Kiev estão alertando há semanas que Moscou poderia tentar atacar as regiões da fronteira no nordeste do país, aproveitando o momento em que a Ucrânia espera pela chegada da ajuda ocidental e sofre uma escassez de soldados.
- "Noite assustadora" -
"Não estávamos prontos para partir. Nossa casa é nossa casa", declarou Liuda Zelenskaia, de 72 anos, com seu gato nos braços.
Assim como ela, Liuba Konovalova, de 70 anos, recorda a "noite assustadora" antes de deixar sua cidade.
Perto de Vovchansk, voluntários atendem evacuados esperando para se registrar e receber refeições antes de partir para a cidade de Kharkiv.
De acordo com Oleksii Jarkivski, um policial mobilizado para estas retiradas, "diversas pessoas foram mortas em bombardeios no sábado e o corpo de outra foi encontrado sob os escombros durante a noite.
"A cidade está constantemente sob ataque", relatou ele.
Desde sexta-feira, cerca de 1.500 pessoas foram retiradas de Vovchansk, alvo de 32 ataques de drones nas últimas 24 horas, disse ele.
O comandante em chefe das forças ucranianas, Oleksandr Syrsky, garantiu, por sua vez, que "as tentativas de romper as nossas defesas foram interrompidas", mas admitiu que a situação na região de Kharkiv era "complicada".
- Incêndio em refinaria -
A Rússia assumiu no sábado (11) a tomada de cinco localidades ucranianas em Kharkiv, perto da fronteira russa, e uma na região de Donetsk, mais ao sul.
Já as forças ucranianas estão intensificando seus ataques na Rússia e nas áreas da Ucrânia ocupadas por Moscou, sobretudo contra infraestruturas energéticas.
Pelo menos 17 pessoas ficaram feridas neste domingo no desabamento parcial de um edifício em Belgorod, perto da fronteira com a Ucrânia, após um ataque do Exército de Kiev, informou o ministro da Saúde russo, Mikhail Murashko.
Na noite de sábado, um ataque ucraniano com drones provocou um incêndio em uma refinaria em Volgogrado, sul da Rússia, sem deixar vítimas, segundo o governador da região, Andrey Bocharov.
O Ministério da Defesa russo afirmou em seu relatório matinal que a defesa aérea interceptou oito drones ucranianos durante a noite, um deles "sobre o território da região de Volgogrado".
Washington anunciou um novo pacote de ajuda militar de 400 milhões de dólares (R$ 2 bilhões na cotação atual) para Kiev horas após o início da nova operação russa, afirmando estar confiante na capacidade do Exército ucraniano de repelir qualquer ofensiva de Moscou.
L.Dubois--BTB