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A vida dos moradores de Gaza reduzida ao macabro 'jogo de gato e rato'
Uma vida reduzida ao macabro “jogo de gato e rato” para escapar das balas e das bombas. É assim que Mahmud al Barsh descreve seu cotidiano nos últimos sete meses, em meio a fugas durante a guerra que não cessa em Gaza.
“Nós vamos de um lugar para outro, mas o bombardeio continua” por toda parte, disse à AFP este palestino de 33 anos, que acaba de chegar à Cidade de Gaza depois de fugir de Jabaliya, mais ao norte da Faixa.
Segundo testemunhas, aviões de guerra israelenses voltaram a bombardear nesta segunda-feira (13) várias áreas do campo de refugiados desta cidade, alvo de ataques massivos no início da ofensiva em resposta ao sangrento ataque do Hamas perpetrado em 7 de outubro.
Depois de afirmar ter eliminado a ameaça do grupo islamista ao norte, o Exército israelense diz que reorganizou as forças e “lançou panfletos e enviou mensagens para telefones avisando a todos para deixarem Jabaliya”, diz Um Adi Naser, um residente do campo que chegou à Cidade de Gaza.
As Brigadas Ezzedin al Qasam, o braço armado do Hamas, disseram nesta segunda-feira que estavam “envolvidas em intensos combates” perto do campo de Jabaliya.
“Aterrorizado”, Um Adi Naser “agarrou os filhos e partiu para a Cidade de Gaza”.
“Esta não é a primeira vez que temos que nos mudar. Cada vez que tentamos nos instalar em algum lugar, há uma operação” e “aviões e tanques bombardeiam”, diz ele.
- "Debaixo de bombas" -
Mahmud al Barsh afirma que “não sabe para onde ir” porque “nenhum lugar é seguro, nem a Cidade de Gaza nem o norte. Todos os lugares são bombardeados”.
Como um eco, explosões e tiros pesados são ouvidos no sudeste da Cidade de Gaza, onde o Hamas diz que também enfrenta as forças israelenses.
Segundo testemunhas, o bairro de East Zeitun, como nos dias anteriores, está sob fogo da artilharia e da aviação de Israel.
Já “deslocado quatro vezes de um lugar para outro” desde o início da guerra, Abed Ayad, 40 anos, fugiu da sua casa em Zeitun “debaixo de bombas”, com os seus pais, irmãos e filhos, em direção à zona portuária.
“Não levamos nenhuma roupa ou comida. Não pensávamos que sobreviveríamos ao bombardeio”, contou ele.
Estilhaços feriram seu pai, que foi levado ao hospital em uma maca improvisada, “já que nenhuma ambulância chegava ao bairro”.
Também morador de Zeitun, Iman al-Ramlawi, 35 anos, diz a mesma coisa: “fugimos de casa com o bombardeio sobre nós” e “saímos em direção ao oeste da Cidade de Gaza”. Cada vez “saímos sem saber se voltaremos e se a casa ainda estará de pé ou se terá sido destruída pelos bombardeios”, acrescentou.
- "Pânico" -
Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), restam cerca de 250 mil pessoas na parte norte da Faixa de Gaza – onde está localizada a Cidade de Gaza – bastante destruída por combates e bombardeios, tal como o centro do território.
Cerca de 64 mil pessoas fugiram de Jabaliya e Beit Lahia, outra cidade do norte, desde o reinício dos combates.
Mais de um milhão dos 2,4 milhões de habitantes da Faixa de Gaza deixaram o norte e o centro em direção a Rafah, no sul da Faixa de Gaza.
Israel considera esta cidade o último reduto do Hamas e reitera a sua determinação em realizar uma grande ofensiva para aniquilar o movimento islamista, apesar dos receios internacionais de um massacre de civis.
O Exército israelense avança na região leste da cidade em direção às zonas cada vez mais densamente povoadas, que bombardeia depois de pedir aos habitantes que se retirem.
Segundo a UNRWA, desde as primeiras ordens de evacuação, quase 360 mil pessoas fugiram de Rafah, na fronteira com o Egito.
Nesta segunda-feira, mensagens pedindo que os habitantes de duas novas áreas saiam “espalharam o pânico” entre a população, disseram testemunhas à AFP.
H.Seidel--BTB