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Bombardeio israelense contra campo em Rafah provoca indignação mundial
Israel enfrenta, nesta segunda-feira (27), uma onda de críticas internacionais por um bombardeio que, segundo as autoridades de Gaza, matou 45 pessoas em um campo de deslocados em Rafah, no sul do território palestino, governado pelo movimento islamista Hamas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, lamentou o "trágico acidente" e anunciou que seu governo estava "investigando" o ocorrido.
O bombardeio aconteceu na noite de domingo, dentro da ofensiva lançada por Israel contra o Hamas há mais de sete meses, após o ataque mortal de milicianos islamistas ao território israelense em 7 de outubro.
O Ministério da Saúde de Gaza informou que "o massacre" em Rafah deixou "45 mortos" e "249 feridos".
Segundo o Exército israelense, o bombardeio tinha como alvo milicianos do Hamas e os aviões conseguiram atingir "uma instalação" do movimento islamista, matando dois altos funcionários.
A ONU pediu para Israel realizar uma investigação "completa e transparente" sobre o bombardeio, enquanto os Estados Unidos instaram o país a "tomar todas as precauções para proteger os civis".
"Não há mais lugar seguro em Gaza. Esse horror precisa parar", publicou nas redes sociais o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Diplomatas anunciaram que o Conselho de Segurança da ONU se reunirá em uma sessão de emergência para discutir o ataque.
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse na rede X que "essas operações devem cessar", enquanto o alto representante de política externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, afirmou estar "horrorizado" com a notícia.
"Estamos investigando. Qualquer perda de vidas civis é grave e terrível", disse o porta-voz do governo israelense, Avi Hyman, garantindo que Israel "tenta limitar as vítimas civis".
- 'As crianças gritavam' -
O bombardeio ocorreu horas depois de o Hamas disparar foguetes contra a cidade israelense de Tel Aviv e outras áreas do centro de Israel.
As defesas aéreas israelenses derrubaram a maioria dos foguetes e nenhuma vítima foi reportada.
Segundo a agência de defesa civil de Gaza, o ataque a Rafah provocou um incêndio que devastou um campo de deslocados no noroeste da cidade.
"Vimos corpos carbonizados [...] Também vimos amputações, crianças, mulheres e idosos feridos", disse Mohammad al Mughayyir, funcionário da agência.
"Tínhamos acabado de terminar a oração noturna [...] Nossos filhos estavam dormindo, de repente ouvimos um barulho alto e vimos fogo por toda parte. As crianças gritavam, o barulho foi assustador", disse uma sobrevivente que não quis ser identificada.
Mohammad Hamad, de 24 anos, disse que "as pessoas não foram feridas ou mortas: foram queimadas."
"A filha da minha prima, uma menina de no máximo 13 anos, foi uma das 'mártires'. Seus traços estavam irreconhecíveis porque os estilhaços desfiguraram seu rosto", disse ele.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) disse que um dos seus hospitais de campanha estava recebendo um "fluxo de feridos em busca de cuidados para ferimentos e queimaduras".
Imagens gravadas por equipes da AFP nesta segunda-feira mostravam restos de tendas carbonizadas e famílias palestinas observando a destruição.
- 'Crimes de guerra' -
O ataque israelense provocou a condenação de vários países da região.
O Egito denunciou um "ataque a civis indefesos", a Jordânia acusou Israel de cometer "crimes de guerra" e a Arábia Saudita condenou "os contínuos massacres cometidos pelas forças de ocupação israelenses".
Já a Turquia prometeu fazer "tudo o que for possível para responsabilizar os bárbaros e assassinos".
O Catar, que atua como mediador ao lado de Estados Unidos e o Egito para conseguir uma trégua no conflito e a libertação dos reféns detidos pelo Hamas em Gaza, alertou que o bombardeio poderia "dificultar" as negociações.
Por outro lado, o Exército israelense informou que está investigando um ataque a tiros ocorrido nesta segunda-feira na fronteira entre Gaza e Egito, enquanto o Exército egípcio confirmou a morte de um agente de fronteira.
A guerra na Faixa de Gaza eclodiu em 7 de outubro, quando milicianos islamistas mataram mais de 1.170 pessoas, a maioria civis, no sul de Israel, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Os combatentes também sequestraram 252 pessoas. Israel afirma que 121 continuam sequestradas em Gaza, das quais 37 teriam morrido no cativeiro.
Em resposta, o governo de Netanyahu prometeu "aniquilar" o Hamas e lançou uma ofensiva aérea e terrestre contra Gaza que deixa 36.050 mortos até o momento, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.
burs-jd/fz/jkb/meb-sag/an/mas/atm/fp/jb/aa/mvv/ic/rpr
O.Lorenz--BTB