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Separatista Carles Puigdemont reaparece brevemente na Espanha após 7 anos foragido
A polícia catalã tentava, nesta quinta-feira (8), descobrir o paradeiro do líder separatista Carles Puigdemont, que reapareceu brevemente perante os seus apoiadores em Barcelona depois de quase sete anos foragido da Espanha, antes de desaparecer novamente, desprezando o extenso dispositivo de segurança implantado para prendê-lo.
Fora da Espanha desde 2017 para fugir da Justiça após a fracassada secessão da Catalunha em outubro daquele ano, o ex-presidente catalão fez um breve discurso perante milhares de apoiadores, após o qual desapareceu novamente.
Perante este fiasco, a polícia catalã, os Mossos d'Esquadra, estabeleceu postos de controle para impedir que Puigdemont saísse de Barcelona ou da região da Catalunha.
Um agente da Mossos foi detido por supostamente ter colaborado com a fuga, por ser o proprietário do veículo em que Puigdemont fugiu após fazer o seu discurso no palco montado perto do Parlamento catalão.
O dispositivo "foi concebido" para que "a detenção fosse efetuada de forma proporcional e no momento mais oportuno para não gerar desordem pública", alegaram os Mossos em um comunicado, no qual afirmaram que duas pessoas foram detidas devido a incidentes entre manifestantes e a polícia.
"Não sei quanto tempo vai demorar até nos vermos novamente, amigos, mas aconteça o que acontecer, quando nos vermos novamente, espero que possamos gritar juntos bem alto de novo: (...) Viva a Catalunha livre!", disse Puigdemont diante de seus apoiadores, que gritavam "presidente, presidente!".
- "Me emocionei ao vê-lo" -
A breve aparição da figura-chave do separatismo, que liderou a região durante a tentativa fracassada de secessão em outubro de 2017, emocionou apoiadores, que o saudaram agitando bandeiras pró-independência.
"Gostei muito do tom dele, nada exaltado, me emocionei ao vê-lo", disse Albert, manifestante de Barcelona.
"Um país que tem uma lei de anistia e que não anistia, tem um problema de natureza democrática", disse Puigdemont, que se refugiou na Bélgica, antes de se mudar para o sul da França, onde fez campanha para as eleições catalãs em maio.
Ele se referiu à lei promovida pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em troca do apoio do JxCAT para ser reeleito em novembro de 2023.
Mas, em 1º de julho, o Tribunal Supremo determinou que a anistia não se aplicava a Puigdemont na acusação por peculato, pela qual poderia ser condenado a uma dura pena de prisão.
No vídeo em que anunciou seu retorno, o líder disse que "responderia" ao "desafio" de alguns juízes, que com uma "atitude de rebelião" não aplicaram a anistia.
As consequências do retorno de Puigdemont ainda são incertas, mas podem atrasar a posse do socialista Salvador Illa como presidente regional.
O secretário-geral do JxCAT, Jordi Turull, anunciou que caso Puigdemont seja preso solicitará a suspensão da sessão.
Após meses de bloqueio e intensas negociações desde as eleições de maio, quando os socialistas venceram sem maioria absoluta, a rica região deverá finalmente ter Illa como seu novo presidente nesta quinta-feira.
A cerimônia de posse encerrará o prazo que termina em 26 de agosto para evitar uma repetição das eleições caso não haja um novo chefe do Executivo regional.
Se confirmado, Illa, ministro da Saúde espanhol durante a pandemia de covid-19 e próximo de Pedro Sánchez, será o primeiro presidente catalão que não faz parte de um partido nacionalista ou separatista desde 2010.
A.Gasser--BTB