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Novo premiê japonês enfrenta o risco de perder maioria em eleições antecipadas
O novo primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, enfrenta o risco de um resultado ruim em sua aposta de convocar eleições antecipadas, para o próximo domingo (27), nas quais o partido que governa o país pode perder a maioria parlamentar pela primeira vez em 15 anos.
Ishiba assumiu o cargo e convocou as eleições há menos de um mês, após uma votação apertada em que foi o escolhido para assumir a presidência do Partido Liberal Democrático (PLD), que governou o Japão de forma quase ininterrupta durante as últimas sete décadas.
"Esta é uma tentativa de criar um novo Japão, que mudará drasticamente a natureza da sociedade japonesa", disse. "Para concretizar esta grande mudança com ousadia, precisamos da confiança do povo", disse o premiê.
Mas as pesquisas indicam que o PLD pode ficar um pouco abaixo das 233 cadeiras que representam a maioria na Câmara Baixa pela primeira vez desde 2009. Atualmente, o partido tem 256 deputados.
Algumas pesquisas sugerem que mesmo com o seu aliado minoritário de coalizão, o partido Komeito, o PLD não conseguiria um número suficiente para formar um governo.
A situação fica ainda mais complicada devido à popularidade de Yoshihiko Noda, o novo líder do opositor Partido Democrático Constitucional (PDC) e ex-primeiro-ministro que, assim como Ishiba, tem 67 anos.
A posição de Noda "é bastante similar à do PLD. Ele é basicamente um conservador", explica AFP Masato Kamikubo, cientista político da Universidade Ritsumeikan.
"O PDC ou Noda podem ser uma alternativa ao PLD. Muitos eleitores pensam dessa maneira", acrescenta.
- Problema demográfico -
O Japão enfrenta desafios importantes, incluindo a crise demográfica. A previsão indica que a população do país diminuirá quase um terço nos próximos 50 anos e muitos setores já enfrentam dificuldades para encontrar mão de obra.
A quarta maior economia do planeta enfrenta uma estagnação e a desvalorização do iene encareceu os preços dos produtos importados nos últimos anos, em particular os combustíveis fósseis, ainda predominantes na geração de energia.
As pesquisas destacam que a principal preocupação dos eleitores é inflação. Além disso, um escândalo de financiamento no PLD derrubou a popularidade do antecessor de Ishiba, Fumio Kishida, que passou três anos como chefe de Governo.
O Japão, que já tem uma das maiores taxas de dívida pública do mundo, precisa destinar quantias significativas para manter os serviços de atendimento a sua população envelhecida.
Outro setor importante de gastos é o militar, depois que Kishida defendeu a duplicação do orçamento de defesa e o fortalecimento das relações militares com os Estados Unidos para contra-atacar a influência da China.
- Declínio rural -
Ishiba prometeu revitalizar as zonas rurais do país, onde mais de 40% dos municípios podem desaparecer devido à falta de população, segundo um relatório divulgado em abril.
"Se as localidades permanecerem como estão agora, a única coisa que nos espera é a extinção", disse Ichiro Sawayama, um funcionário público de 74 anos que mora em um vilarejo ameaçado, Ichinono, perto de Osaka.
O vilarejo, de menos de 60 habitantes, tem apenas uma criança e as autoridades colocaram manequins nas ruas para dar a sensação de atividade.
Ishiba também se comprometeu a derrotar a deflação (um problema que afeta o Japão há décadas) e apoiar a economia com um pacote de estímulo.
Também afirma que deseja aumentar o salário médio nacional em mais de 40% na década, embora isso possa prejudicar as pequenas empresas.
Depois de uma breve lua de mel inicial, a avaliação de Ishiba nas pesquisas está em queda. Uma pesquisa recente da Kyodo News indica que 40% dos entrevistados desaprovavam sua gestão.
Sua imagem perdeu pontos entre o eleitorado feminino depois que ele nomeou apenas duas mulheres para seu ministério, um problema estrutural em um país que aparece na 118ª posição do Índice Global de Disparidade de Gênero de 2024 do Fórum Econômico Mundial.
Mas as possibilidades de que a oposição consiga aproveitar o descontentamento e formar uma maioria são reduzidas, afirma Yu Uchimura, cientista político da Universidade de Tóquio.
"Este é o problema com a oposição: sempre brigam entre eles e se dissolvem muito rapidamente", completa.
hih-ap-tmo-stu/kaf/hmn/dbh/jvb/fp
J.Bergmann--BTB