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'Vingança' por Khamenei é 'inevitável', diz líder supremo do Irã
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, jurou vingar a morte de seu pai, Ali Khamenei, assassinado no fim de fevereiro nos ataques de Israel e dos Estados Unidos, após os bombardeios mútuos desta semana, apesar da assinatura de um memorando de acordo.
O texto do aiatolá tem data de sexta-feira (10) e é a primeira declaração de Khamenei desde o funeral de seu pai, que aconteceu na última semana.
Na mensagem, Mojtaba Khamenei promete vingar "o sangue puro" do ex-dirigente, assim como o de "todos os mártires" das "duas guerras" que colocaram a República Islâmica em confronto com Israel e Estados Unidos.
"Esta vingança é a vontade de nossa nação e deve ser cumprida, inevitavelmente", afirmou.
Também destacou em tom acusatório os "assassinos criminosos e desonrosos" e afirmou que os nomes dos responsáveis "estão em uma lista".
Na noite de sexta-feira, o presidente americano Donald Trump acusou Teerã de querer assassiná-lo e prometeu mais uma vez aniquilar o Irã se isso acontecesse.
"1.000 mísseis estão prontos para serem lançados e apontam para a República Islâmica do Irã (...) caso o governo iraniano cumpra sua ameaça, proclamada em muitos cantos do globo, de assassinar, ou tentar assassinar, o presidente em exercício dos Estados Unidos da América, neste caso, EU!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
"As ordens já foram dadas, e as Forças Armadas dos Estados Unidos estão preparadas, dispostas e aptas, por um período de um ano, que pode ser prorrogado, a dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã", acrescentou.
- Sanções -
Irã e Estados Unidos retomaram os ataques na terça e na quarta-feira, com bombardeios no Oriente Médio que foram os maiores desde a assinatura, em 17 de junho, de um memorando de entendimento que ratificava o cessar-fogo alcançado em abril.
As forças militares dos Estados Unidos bombardearam o Irã por duas noites consecutivas depois que atribuíram a Teerã a responsabilidade pelos ataques contra três navios comerciais em Ormuz.
Em represália, o Irã atacou países vizinhos do Golfo: Kuwait, onde ao menos uma pessoa ficou ferida, Bahrein e Catar, um dos mediadores nas negociações para tentar solucionar o conflito, que começou com os ataques de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro.
Washington também restabeleceu as sanções econômicas contra o petróleo iraniano que haviam sido suspensas pelo protocolo de 17 de junho, uma "violação" do cessar-fogo, denunciou Araghchi neste sábado.
Embora as forças dos Estados Unidos tenham afirmado que atacaram apenas alvos militares, a República Islâmica acusou Washington de atingir infraestruturas civis para impedir a presença dos fiéis nas cerimônias fúnebres de Ali Khamenei.
- Diplomacia -
A calma, no entanto, retornou desde a noite de quinta-feira e uma delegação do Catar chegou na sexta-feira ao Irã para uma rodada de conversações, segundo a imprensa local.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que também tem o papel de mediador, afirmou no X que fez um apelo ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, para que preserve uma paz "duramente conquistada".
O principal negociador iraniano nas negociações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que a guerra "nunca terminaria com uma rendição do Irã".
Trump voltou a afirmar na sexta-feira que este cessar-fogo "acabou", mas disse que aceitava continuar dialogando com Teerã.
A República Islâmica considera que cumpriu os compromissos assumidos em 17 de junho. Araghchi afirmou neste sábado que seu país "cumpriu sua palavra".
"Nenhuma negociação acontecerá até que a parte americana revise suas posições", declarou à agência de notícias Fars uma fonte próxima aos negociadores iranianos.
A mesma fonte disse que o principal é solucionar "a questão do trânsito pelo Estreito (de Ormuz) de acordo com as modalidades desejadas pelo Irã".
O chanceler iraniano deve abordar a questão, que está no centro da disputa entre Irã e Estados Unidos, com seu homólogo de Omã, Badr al Busaidi, neste sábado em Mascate.
O Irã havia bloqueado o estreito, situado em águas do país e de Omã, e por onde transitava um quinto do comércio mundial de petróleo e gás antes da guerra, em resposta à ofensiva israelense-americana.
Agora o país autoriza apenas um único corredor de navegação, ao longo de suas costas, e descarta a possibilidade de retorno à situação anterior ao conflito – quando a passagem era gratuita –, embora o direito marítimo estabeleça uma liberdade de navegação "sem obstáculos".
Segundo os sites americanos Axios e Politico, Washington informou Teerã que tem prazo até sábado para assumir o compromisso público de não atacar mais navios no Estreito de Ormuz.
burx-cgo/hme/cr/avl/jvb/mmy/fp
C.Kovalenko--BTB