-
Seleção do Egito é ovacionada em seu retorno ao país
-
IA 'não pode criar nada', afirma cineasta Christopher Nolan
-
Anistia Internacional considera 'ilegal' a recente deportação de migrantes dos EUA para Essuatíni
-
Zverev vai à final de Wimbledon após recente título de Roland Garros
-
Hugo Broos deixa cargo de técnico da África do Sul
-
Netanyahu se apressa em cumprir promessas feitas a aliados antes das eleições
-
Pelo menos 12 mortos e 23 desaparecidos em incêndio no sul da Espanha
-
Espanha enfrenta Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo
-
UE exige que Meta modifique o 'design viciante' do Facebook e do Instagram
-
Pelo menos 11 mortos e 19 desaparecidos em incêndio no sul da Espanha
-
Tufão Bavi provoca 15 mortes nas Filipinas e deixa Taiwan em alerta
-
Tapeçaria de Bayeux chega a Londres para empréstimo histórico
-
Incêndio florestal deixa 11 mortos no sul da Espanha
-
Aiatolá Ali Khamenei é sepultado em funeral marcado por ataques entre EUA e Irã
-
Trump informou Netanyahu sobre 'últimos movimentos' dos EUA no Golfo
-
Suspeito do assassinato de Charlie Kirk manifestou arrependimento, diz colega de quarto
-
França vence Marrocos (2-0) e está na semifinal da Copa do Mundo
-
'A vida parou': venezuelanos cavam entre escombros duas semanas após terremoto
-
Keiko toma medidas para evitar 'catástrofe' causada pelo El Niño no Peru
-
Karolina Muchova e Linda Noskova farão final feminina de Wimbledon 100% tcheca
-
Espanha e o desafio de parar a embalada Bélgica nas quartas da Copa do Mundo
-
Andy Burnham, na linha de largada para suceder a Keir Starmer no Reino Unido
-
Presidente do Peru pede a Fujimori que governe 'para todos'
-
Inglês Jarell Quansah recebe 2 jogos de suspensão por expulsão contra o México
-
Pulisic sofreu microfratura na eliminação dos EUA contra Bélgica
Deserções no Exército ucraniano, entre a angústia e a indulgência
Oleksandr desertou do Exército enquanto lutava na frente oriental da Ucrânia, depois de meses vendo outros soldados serem massacrados por bombardeios russos.
Um dia, os soldados de seu grupo receberam ordens para revidar. Oleksandr, 45 anos, pensou que a morte o aguardava e, quando teve a chance, deixou as linhas de frente na região de Luhansk.
“Nós queríamos viver. Não tínhamos experiência militar. Éramos pessoas normais e trabalhadoras”, explica ele com voz suave à AFP, sem divulgar seu sobrenome.
O caso de Oleksandr é uma das milhares de deserções que pesam sobre o Exército ucraniano, que perdeu 43.000 soldados desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. Dezenas de milhares estão desaparecidos.
A falta de tropas é um dos piores problemas diante das tropas russas, maiores e que estão na ofensiva, ganhando terreno por meio de operações mortais.
- Prisão antes da morte -
De acordo com o Ministério Público ucraniano, desde 2022, pelo menos 90.000 casos foram abertos por deserção ou ausência sem permissão e 2024 viu um aumento acentuado na tendência.
O caso de Sergiy Gnezdilov é um bom exemplo dessa situação. Em setembro, o jovem de 24 anos anunciou nas redes sociais que estava deixando sua unidade em protesto contra o recrutamento por tempo indeterminado.
“A partir de hoje, estou saindo sem licença depois de cinco anos de serviço militar impecável, até que sejam estabelecidas condições claras de serviço ou até que eu complete 25 anos”, escreveu ele.
O serviço nacional de investigação classificou seu comportamento como “imoral” e disse que suas declarações fazem o jogo da Rússia. Gnezdilov foi preso e pode pegar até 12 anos de prisão.
Oleksandr afirma que se lembra pouco do ano seguinte à sua deserção, que passou na região de Lviv, e atribui essa amnésia aos hematomas cerebrais que sofreu com o bombardeio.
Ele também diz que bebeu para esquecer o horror e o crescente sentimento de culpa.
No final, apesar das súplicas das pessoas ao seu redor, ele decidiu retornar ao front, depois de ver jovens se alistando e soldados retornando ao combate, mesmo tendo sido feridos.
Sua irmã implorou a ele e disse: “Prefiro levar comida para a prisão do que flores para o seu túmulo”.
- "Você enlouquece pouco a pouco" -
Para Buch, um soldado que se identifica por seu pseudônimo de guerra, foi também o sentimento de culpa que o motivou a retornar ao front.
O homem de 29 anos explica que desertou depois de ser ferido durante a libertação de Kherson, uma cidade no sul da Ucrânia, no final de 2022.
“Ficar sob bombardeio constante prejudica gradualmente seu estado mental. Você enlouquece pouco a pouco. Você está sob estresse o tempo todo”, diz ele.
Diante da escassez de tropas, o Parlamento ucraniano aprovou em agosto uma anistia para os soldados que retornassem às suas unidades.
Tanto a 47ª quanto a 53ª brigadas do Exército anunciaram em dezembro que reintegrariam os soldados que deixaram a frente de batalha sem permissão. “Todos nós cometemos erros”, explicaram.
O Ministério Público alega que até 8.000 soldados que desertaram ou deixaram seus postos sem permissão retornaram às fileiras do Exército.
- Apoio psicológico -
Para Siver, comandante do 1º Batalhão de Assalto Separado, conhecido como Da Vinci, o número de soldados que desertam de suas unidades está aumentando à medida que os soldados mais motivados são mortos ou feridos.
“Poucas pessoas foram feitas para a guerra”, disse ele à AFP. “Cada vez mais pessoas estão sendo forçadas” a entrar no Exército, acrescenta.
Vários oficiais militares disseram à AFP que estão sendo tomadas medidas para reduzir as deserções.
Buch aponta para uma melhora no treinamento médico e militar que recebeu, em comparação com a primeira vez em que foi mobilizado. A atitude de seus superiores também mudou. Antes, alguns oficiais “não nos tratavam como seres humanos”.
O major Siver argumenta que o apoio psicológico pode ajudar as tropas a suportar as “semanas” nas trincheiras, atoladas na lama, com frio e fome.
Para Siver, no entanto, não existe uma solução milagrosa para combater a deserção, uma tendência que provavelmente vai aumentar.
“Temos que pôr um fim à guerra”, diz ele.
N.Fournier--BTB