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Biden veta venda da siderúrgica US Steel à japonesa Nippon Steel
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou, nesta sexta-feira (3), que vetou a polêmica venda de 14,9 bilhões de dólares (R$ 92,5 bilhões) da US Steel para a japonesa Nippon Steel, devido à necessidade estratégica de proteger a indústria siderúrgica americana.
"Essa aquisição teria colocado um dos maiores produtores de aço dos Estados Unidos sob controle estrangeiro, criando um risco para nossa segurança nacional e para a cadeia de suprimentos. Por isso, decidi bloquear a operação", afirmou Biden em um comunicado.
Os Estados Unidos são o maior importador mundial de aço, um setor dominado principalmente pela China.
A produção de aço e os trabalhadores metalúrgicos "são a espinha dorsal da nossa nação", disse o democrata de 82 anos.
Uma forte indústria siderúrgica é "uma prioridade essencial para a segurança nacional e fundamental para cadeias de suprimentos resilientes", acrescentou, destacando que triplicou "as tarifas sobre as importações de aço da China" durante seu mandato.
De acordo com a imprensa americana, seus assessores haviam alertado sobre as possíveis consequências diplomáticas desse veto.
Joe Biden, grande defensor da reindustrialização americana, tem se esforçado para fortalecer as alianças internacionais dos Estados Unidos, especialmente na Ásia, e particularmente no Japão, considerado um aliado estratégico na região.
No entanto, em relação ao aço, optou por priorizar a situação interna.
Em 2021, também não hesitou em causar uma crise com a França ao retirar um gigantesco contrato de submarinos da Austrália.
- Trump também era contra -
Biden deverá entregar a presidência ao republicano Donald Trump no dia 20 de janeiro, que também havia se manifestado contra essa operação, anunciada inicialmente em dezembro de 2023.
Uma comissão encarregada de avaliar as consequências para a segurança nacional dos Estados Unidos de uma possível venda da siderúrgica se recusou a se pronunciar no final de dezembro.
A decisão então recaiu sobre Biden, que tinha 15 dias para se manifestar.
O projeto de fusão foi um dos focos da campanha presidencial do ano passado, já que afetava diretamente o estado da Pensilvânia, berço da indústria do aço dos Estados Unidos e fundamental para as eleições.
O sindicato dos trabalhadores metalúrgicos se opôs firmemente à fusão, que a Nippon Steel havia descrito como uma verdadeira salvação para um setor industrial em dificuldades.
"É a decisão certa", reagiu nesta sexta-feira o sindicato United Steelworkers.
"Estamos gratos pela disposição do presidente Biden em tomar medidas ousadas para manter uma indústria siderúrgica nacional forte e por seu compromisso de toda a vida com os trabalhadores americanos", afirmou o presidente internacional do sindicato, David McCall, em um comunicado.
O grupo japonês tentou vencer a resistência de Joe Biden prometendo garantias e condições atraentes.
De acordo com a imprensa, os asiáticos ofereceram ao governo dos Estados Unidos o direito de vetar qualquer possível redução na produção da US Steel nos Estados Unidos.
A siderúrgica japonesa também se comprometeu a manter os empregos e prometeu pelo menos 2,7 bilhões de dólares (R$ 16,7 bilhões) de investimento em centros industriais sindicalizados, além de um bônus de 5.000 dólares (R$ 31 mil) para os empregados da US Steel em caso de aquisição.
A US Steel, por sua vez, também fez campanha a favor da operação, que descreveu como uma forma de "combater a ameaça competitiva da China" e garantir a prosperidade futura da empresa.
G.Schulte--BTB