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Forças sírias realizam operação militar após confrontos com combatentes pró-Assad
As forças de segurança da Síria lançaram uma grande operação militar no noroeste do país nesta sexta-feira (7), após violentos confrontos no dia anterior com combatentes leais ao presidente deposto Bashar al Assad.
Uma ONG afirmou que, em sua operação, as forças de segurança sírias "executaram" na sexta-feira 134 civis, membros da minoria muçulmana alauíta, à qual pertence Assad.
As autoridades do país enviaram reforços e realizaram grandes operações de rastreamento na região depois que pelo menos 231 pessoas morreram desde a quinta-feira em confrontos intensos, de acordo com um novo balanço do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
O ex-presidente Bashar al Assad, que fugiu para a Rússia depois de governar o país com mão de ferro por 24 anos, foi derrubado em 8 de dezembro por uma aliança de grupos rebeldes islamistas liderados pelo grupo radical Hayat Tahrir al Sham (HTS).
Desde então, as novas autoridades têm enfrentado o desafio de restaurar a segurança no país, palco de uma sangrenta guerra civil que começou em 2011 e deixou mais de meio milhão de mortos.
A Arábia Saudita condenou a violência cometida por "grupos ilegais" contra as forças de segurança. A Turquia, que faz fronteira com a Síria, alertou contra qualquer provocação que ameace a paz "na Síria e na região".
A Rússia pediu o fim do "banho de sangue" e disse estar pronta para a "coordenação de esforços" entre "parceiros estrangeiros" para alcançar "uma rápida redução da tensão".
O Irã, por sua vez, afirmou que se opunha ao assassinato de "sírios inocentes". Teerã é um antigo aliado de Assad.
- 'Disparos e explosões' -
Um toque de recolher foi imposto nas regiões costeiras de Latakia, reduto da comunidade alauíta, e Tartus, mais ao sul, que durou até sábado.
"À noite, ouvimos tiros e explosões com a chegada de reforços maciços", disse Ali, contatado pela AFP de Damasco, em Jableh, cerca de 10 quilômetros ao sul de Latakia.
"As pessoas estão ficando em casa, todos estão com medo. A chegada de veículos militares e comboios de todas as partes não é tranquilizadora", acrescentou.
Mustafa Kneifati, chefe de segurança em Latakia, fez menção a um ataque "planejado e premeditado" contra posições do governo na região. A eletricidade foi cortada em grande parte da província.
De acordo com o OSDH, uma organização sediada em Londres, mas com uma extensa rede de informantes na Síria, as forças de segurança "executaram" 136 civis alauítas, incluindo pelo menos 13 mulheres e cinco crianças, na sexta-feira nas regiões de Baniyas, Latakia e Jableh.
A ONG e os milicianos divulgaram vídeos que mostram dezenas de corpos de civis empilhados no pátio de uma casa. Outra gravação exibe homens em trajes militares ordenando que três pessoas se ajoelhem antes de matarem-nas à queima-roupa.
A AFP não conseguiu verificar a autenticidade desses vídeos.
- 'Grupos ilegais' -
Imagens divulgadas pela agência de notícias oficial Sana nesta sexta-feira mostram combatentes armados das novas forças de segurança em caminhonetes entrando nas cidades de Baniyas e Tartus.
Outra filmagem capturada pela AFP em Al Bab, no norte da Síria, mostra combatentes em uniforme militar pertencentes ao Exército Nacional Sírio - uma facção pró-turca - indo em direção a Latakia em apoio às novas autoridades.
Desde a quinta-feira, os combates deixaram 185 mortos, incluindo 50 membros das forças de segurança, 45 combatentes armados, informou o OSDH.
A agência Sana citou uma fonte das forças de segurança que disse que as "operações de pente-fino" tiveram como alvo membros "das milícias de Assad e quem os apoiou e auxiliou" em Latakia e Tartus.
Durante a operação em Latakia, as forças de segurança anunciaram a detenção em Jableh do general que comandava a segurança da Força Aérea, uma das agências mais próximas da família Assad, informou a Sana.
"Nossas forças na cidade de Jableh conseguiram prender o general criminoso Ibrahim Huweija", afirmou a agência. "Ele é acusado de centenas de assassinatos no período do criminoso Hafez al Assad", pai e antecessor do presidente deposto.
O diretor de segurança da província também afirmou que as forças governamentais haviam entrado em confronto com homens armados leais a um comandante das forças especiais da era Assad, Suheil al Hassan, apelidado de "o Tigre".
C.Meier--BTB