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Universidade de Columbia está sob pressão de Trump
Proteger a liberdade de expressão dos alunos ou sucumbir à pressão de Donald Trump? A Universidade de Columbia, o epicentro dos protestos pró-palestinos nos Estados Unidos, anda na corda bamba desse dilema praticamente insolúvel, sob o olhar atônito do mundo educacional.
Nos últimos dias, a crise que vem se formando no campus de Nova York há mais de um ano é visível no rosto de Mahmoud Khalil.
O jovem recém-formado foi detido no início de março pela polícia de imigração e alfândega com o objetivo de deportá-lo devido ao seu papel de porta-voz do movimento estudantil contra a guerra de Israel em Gaza.
O caso, que comoveu além dos círculos de ativistas dos EUA, reflete a preocupação dos defensores da liberdade de expressão e simboliza as ambições do presidente americano.
Trump, que prometeu que a detenção de Khalil será a primeira de muitas, quer acabar a todo custo com estas manifestações, que considera antissemitas.
Com Columbia, que ele acaba de cortar 400 milhões de dólares (2,3 bilhões de reais na coação atual) em subsídios por não proteger suficientemente seus alunos judeus, Trump quer enviar uma mensagem às grandes universidades, que ele ameaça com represálias se não se curvarem aos seus projetos.
"Columbia se encontra em uma posição impossível, e estamos seguros de que as outras 60 instituições de ensino superior que foram apontadas por má conduta (...) estão prestando atenção especial à resposta à Columbia", declarou à AFP Lynn Pasquerella, presidente da Associação de Universidades Americanas.
- Reforma a troco de milhões -
"O que está em jogo é enorme, não só para Columbia, mas também para todas as universidades do país", reconheceu a presidente interina da universidade, Katrina Armstrong, em um comunicado emitido no fim de semana.
A universidade prometeu continuar seus "esforços para combater o ódio e a discriminação no campus", ao mesmo tempo que "reafirma (seu) compromisso com a liberdade de expressão".
Por trás desta cautelosa postura oficial, criticada em todas as frentes, Columbia está em movimento.
A universidade, agora barricada, exceto pela entrada de agentes de imigração para buscas surpresa, já havia dado sinal verde à polícia para expulsar ativistas pró-palestinos na primavera passada.
Na semana passada, anunciou uma série de sanções disciplinares, inclusive expulsões, contra alunos que realizaram tais protestos no ano passado.
No entanto, nada parece suficiente aos olhos de Trump
Em uma carta enviada à Columbia na semana passada, sua administração dava à universidade um prazo de uma semana para aceitar uma série de reformas drásticas se ela quisesse começar as negociações para recuperar os 400 milhões de dólares.
A carta, enviada, entre outros, pelo Departamento de Educação, pede que a universidade formalize uma definição de antissemitismo e coloque os departamentos de Estudos do Oriente Médio, do Sul da Ásia e da África sob "supervisão acadêmica".
- "Ameaça existencial" -
"Estes esforços da administração de Trump para impor uma definição particular de antissemitismo em uma universidade, confundindo de propósito o sentimento (pró)palestino com atividade ilegal, e sua tentativa de controlar os programas acadêmicos, ameaçam minar os objetivos democráticos do ensino superior", diz Pasquerella.
"É como dizer à Columbia: vou destruí-los ao menos que vocês se destruam primeiro", diz Jameel Jaffer, diretor do Instituto de Columbia dedicado à liberdade de expressão (o Knight First Amendment Institute).
"A subjugação das universidades ao poder oficial é uma característica da autocracia. Ninguém deveria ter ilusões sobre o que está acontecendo", acrescenta Jaffer, que vê na administração de Trump uma "ameaça existencial para a vida acadêmica".
Paradoxalmente, a pressão do presidente republicano deu um novo fôlego às manifestações pró-palestinas, que agora são uma ocorrência diária em Nova York, transbordando o campus e se infiltrando até mesmo na Trump Tower em Manhattan.
A presidente da Associação Americana de Faculdades e Universidades teme que essas erupções mascarem um dano que já está profundamente enraizado no mundo universitário americano.
"Muitas instituições estão se antecipando e já estão cumprindo as solicitações do governo, mesmo que não tenham sido formalmente solicitadas a fazê-lo, para evitar serem alvo", explica.
"E quem perde com isso são os estudantes", adverte.
S.Keller--BTB