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Israel ameaça tomar setores de Gaza se Hamas não libertar reféns
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ameaçou, nesta quarta-feira (26), ocupar setores de Gaza se o Hamas não libertar os reféns que ainda mantém em seu poder, e o movimento islamista palestino alertou que suas vidas estão em risco pelos bombardeios de Israel.
Além disso, o exército israelense informou que foram detectados dois projéteis disparados da Faixa de Gaza, um dos quais foi interceptado e outro caiu no sul do país. Até o momento não foram reportados danos ou vítimas.
Os disparos foram feitos um dia depois de centenas de habitantes de Gaza se manifestarem no norte do território, gritando palavras de ordem contra o Hamas e pedindo o fim da guerra com Israel. Foram convocadas novas manifestações para esta quarta-feira pela plataforma Telegram.
Depois de 15 meses de guerra, em 19 de janeiro entrou em vigor uma trégua que se estendeu até 18 de março, quando Israel retomou os bombardeios na Faixa de Gaza, seguidos de operações terrestres.
Desde então, pelo menos 830 palestinos morreram no território sitiado e devastado, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, governada pelo Hamas.
- Pressão "maior" -
As autoridades israelenses afirmam que, com esta nova campanha, buscam forçar o Hamas a libertar os últimos reféns, depois da estagnação dos diálogos para prosseguir com a trégua.
O cessar-fogo permitiu que 25 reféns israelenses voltassem para suas casas e a repatriação dos cadáveres de oito cativos, em troca de que Israel libertasse cerca de 1.800 prisioneiros palestinos.
"Quanto mais o Hamas persistir em seu repúdio para libertar nossos reféns, maior será a pressão que iremos exercer", declarou Benjamin Netanyahu no Parlamento nesta quarta.
"Isto inclui a captura de territórios, junto com outras medidas sobre as quais não vou me estender aqui", assinalou.
Na semana passada, o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou que tinha ordenado ao exército "tomar mais território em Gaza, evacuando a população".
"Quanto mais o Hamas se negar a libertar os reféns, mais território vai perder, que será anexado por Israel", disse Katz em um comunicado publicado na sexta-feira.
Dos 251 reféns sequestrados durante o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que foi o estopim para a guerra, 58 continuam retidos em Gaza. Destes, 34 teriam morrido, segundo o exército israelense.
- Devolvidos em caixões -
Nesta quarta, o Hamas alertou que nos últimos meses os reféns poderiam morrer se Israel tentasse libertá-los à força e se continuasse com os bombardeios.
O movimento islamista assegurou que estava fazendo "tudo o possível" para mantê-los com vida, mas assinalou que "os bombardeios sionistas [israelenses] arbitrários estão pondo suas vidas em risco".
"Toda vez que a ocupação tenta recuperar seus [cidadãos] cativos à força, acaba trazendo-os de volta em caixões", acrescentou.
O ataque do Hamas contra Israel, em outubro de 2023, matou 1.218 pessoas, civis na maioria, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais.
Em resposta a este ataque, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre contra o território, que matou 50.183 pessoas até agora, majoritariamente civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, que a ONU considera confiáveis.
Na terça-feira, a cidade de Beit Lahia, no norte de Gaza, foi palco da maior manifestação contra o Hamas desde que o conflito começou. Muitos participantes gritaram palavras de ordem, como "Fora, Hamas" e "Hamas, terrorista".
"O povo está cansado", disse à AFP Majdi, um dos manifestantes, sem querer dar seu nome completo.
No sábado, o Fatah, movimento palestino do presidente Mahmud Abbas, instou o Hamas, seu rival, a deixar o poder advertindo que, se o fizer, "a batalha que se avizinha levará ao fim da existência dos palestinos" em Gaza.
A.Gasser--BTB