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Restaurantes e produtores dos EUA preocupados com novas tarifas
De vinhos europeus a ferramentas industriais, as novas tarifas anunciadas na quarta-feira pelo presidente Donald Trump podem afetar toda a economia dos Estados Unidos, incluindo tanto donos de restaurantes quanto fabricantes.
Para Brett Gitter, que fabrica seus instrumentos de controle de qualidade na China, o aumento de tarifas foi um golpe a mais.
"Acrescento uma sobretaxa no final de cada fatura para cobrir o custo dos impostos alfandegários", disse ele à AFP.
Isto se soma aos 25% que já estavam em vigor antes do retorno de Trump ao poder em janeiro, que ele disse ter tentado absorver parcialmente. "É muito. Isso vai alarmar as pessoas", declarou.
Os clientes de Gitter, também fabricantes dos EUA, terão que decidir se aceitam estes custos adicionais. "A questão é: quanto meu produto fabricado na China é afetado em comparação com meus concorrentes?", questionou ele.
- "Um desastre" -
Andrew Fortgang, que administra três restaurantes e uma vinícola no estado do Oregon, está preocupado com a taxação de 20% às importações europeias, particularmente o vinho, que também entrará em vigor em 9 de abril.
"Cerca de 25% de nossas receitas vêm do vinho importado", explicou à AFP. Se estes rendimentos desaparecerem seria "realmente assustador", comentou.
"O óleo, as mostardas, os queijos e as carnes simplesmente não são intercambiáveis, não são fabricados aqui", observou.
Fortgang acredita que será forçado a transferir alguns custos para seus clientes, aumentando os preços do cardápio de seu estabelecimento. A alta inflação após a pandemia de covid-19 já cobrou seu preço.
"Vamos chegar a uma espécie de ponto de virada" em termos do que os clientes estarão dispostos a tolerar, prevê.
Ben Aneff, presidente da US Wine Trade Alliance, que representa o setor de vinhos e destilados, disse que as novas tarifas são "um desastre para as pequenas empresas".
"Os restaurantes dependem de grandes margens para financiar o restante de suas operações", acrescentando que é "provável que os consumidores vejam os preços subirem".
"Importamos cerca de US$ 4,5 bilhões (R$ 25,6 bilhões, na cotação atual) (em vinho) da UE e as empresas americanas faturam quase US$ 25 bilhões (R$ 142,6 bilhões) com estas importações. Não há solução para esse problema", disse ele à AFP.
Outros profissionais da indústria alimentícia já foram afetados por ondas anteriores de tarifas impostas por Trump.
Bill Butcher, um cervejeiro artesanal da Virgínia, acompanha de perto as reações de seus fornecedores aos novos aumentos de tarifas sobre grãos e lúpulo europeus.
"Há incerteza e caos em nossa cadeia de suprimentos", lamenta.
- Realocação impossível -
Brett Gitter, cuja empresa é sediada em Nova Jersey, tentou "em repetidas ocasiões" transferir sua produção para os EUA, alegando que "não há infraestrutura suficiente" para apoiar o seu negócio.
As placas de circuito que ele utiliza, por exemplo, exigem chips fabricados no leste da Ásia.
Will Thomas, proprietário de uma empresa que transforma bobinas de aço em produtos de metal, diz que importa "por necessidade, não por desejo".
Embora ele não tenha sido afetado de forma significativa pelas novas tarifas, as taxações de 25% que já penalizavam o aço e o alumínio reduziram suas margens de lucro.
"Estou cruzando os dedos para que esse não seja mais um prego no caixão das compras internacionais. Gostaria apenas que os líderes dos diversos países pudessem se sentar e encontrar uma solução", afirmou.
B.Shevchenko--BTB