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Presidentes da América Latina se reúnem em Honduras em meio à guerra comercial de Trump
Uma dezena de presidentes da América Latina e do Caribe, entre eles os do Brasil, Colômbia e México, se reunirão na próxima quarta-feira em Honduras, em meio à guerra comercial promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A IX Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), composta por 33 países, debaterá várias iniciativas, incluindo uma proposta brasileira para impulsionar a candidatura de uma mulher para o cargo de secretária-geral da ONU.
Até o momento, vários governantes de esquerda confirmaram presença e poderão também debater sobre as deportações de migrantes dos Estados Unidos e as ameaças de Trump de retomar o Canal do Panamá.
“Muitos líderes estarão aqui [...] para lutar pelos grandes desafios que temos”, disse a presidente hondurenha Xiomara Castro na quinta-feira na rede social X.
As tarifas alfandegárias anunciadas por Trump na quarta-feira, mais duras do que o esperado, abalaram os mercados e provocaram temores em muitos países.
Trump introduziu tarifas de 10% sobre as importações do Brasil, assim como da Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras e El Salvador. Para a Venezuela, serão de 15%, e para a Nicarágua, 18%.
O México não foi incluído nesta lista, mas enfrenta uma taxação de 25% no setor automotivo e tarifas para o aço e o alumínio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promove a candidatura de uma mulher latino-americana para a ONU.
“Nunca houve uma mulher como secretária-geral da ONU. Temos candidatas de grande peso, político, intelectual, liderança”, declarou a embaixadora Gisela Maria Figuereido, secretária para a América Latina e o Caribe do Ministério das Relações Exteriores, em um comunicado.
"Vários países [...] têm este enfoque de privilegiar uma candidatura de uma mulher. Agora, também há outros que não, então essa negociação ocorrerá" na cúpula, acrescentou.
Enquanto isso, o presidente colombiano, Gustavo Petro, que assumirá a presidência rotativa da Celac ao final da cúpula, propôs “iniciar uma nova fase de respeito ao Canal do Panamá”.
À frente da Celac, a Colômbia buscará um "relacionamento estratégico com parceiros extrarregionais como a União Europeia, China e a União Africana", segundo o ministério das Relações Exteriores colombiano.
Além de Lula, Petro e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, confirmaram presença os presidentes da Bolívia, Uruguai, Cuba e Haiti, e os primeiros-ministros da Guiana e de São Vicente e Granadinas. Outros países serão representados por chanceleres ou vice-chanceleres, como Chile e Paraguai.
A cúpula ocorrerá na sede do Banco Central de Honduras, um dos edifícios mais modernos de Tegucigalpa.
Criada em 2011 por impulso do presidente venezuelano Hugo Chávez (1999-2013), a Celac perdeu força devido a disputas ideológicas entre os países. Nas primeiras cúpulas, participaram cerca de 30 líderes.
J.Fankhauser--BTB