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Entra em vigor tarifa de 10% sobre grande parte das importações para os EUA
A tarifa mínima de 10% imposta pelo presidente Donald Trump sobre grande parte dos produtos provenientes do resto do mundo que entram nos Estados Unidos passou a estar em vigor neste sábado (5) como um golpe para o comércio mundial.
A tarifa se soma às taxas existentes, mas alguns produtos estão isentos, como petróleo, gás, cobre, ouro, prata, platina, paládio, madeira para construção, semicondutores, produtos farmacêuticos e minerais não encontrados em solo americano.
As importações de aço, alumínio e automóveis também não são afetadas, mas porque já estão sujeitas a sobretaxas de 25%.
Canadá e México, parceiros dos EUA no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), estão sob outro regime: 25% sobre produtos fora do acordo (exceto 10% sobre hidrocarbonetos canadenses).
Trump alega que está fazendo isso para incentivá-los a combater a migração irregular e o tráfico de fentanil.
Neste sábado, o presidente dos EUA reforçou as tarifas abrangentes que impôs a países de todo o mundo, prometendo que sua "revolução econômica" produzirá resultados históricos para os americanos.
"AGUENTEM FIRME, não será fácil, mas o resultado final será histórico", disse Trump em uma publicação em sua plataforma Truth Social, acrescentando que suas políticas econômicas estão "trazendo de volta empregos e empresas como nunca antes".
- Guerra comercial -
A guerra comercial declarada pelo republicano se intensificará em 9 de abril com a entrada em vigor de impostos mais altos para outros países.
Serão +54% no total para a China (somando várias tarifas), +20% para a União Europeia (UE), +46% para o Vietnã, +24% para o Japão, +15% para a Venezuela, +18% para a Nicarágua...
Para as Ilhas Malvinas, serão +41%. A Argentina e o Reino Unido reivindicam a soberania sobre este arquipélago, chamado de Ilhas Falkland pelos britânicos.
A lista de Trump afeta cerca de 80 países e territórios, incluindo os 27 do bloco europeu, de acordo com um documento oficial publicado pelo governo americano na sexta-feira.
O número de países mais duramente punidos foi reduzido: não inclui mais as ilhas francesas de St Pierre e Miquelon (no Atlântico) ou os territórios australianos das ilhas Heard e McDonald, na região subantártica, habitados apenas por colônias de pinguins.
Sua presença causou surpresa e deu origem a todos os tipos de memes sobre estes animais nas redes sociais.
- China "entrou em pânico" -
Pequim anunciou na sexta-feira que vai impor tarifas aduaneiras adicionais de 34% aos produtos americanos a partir de 10 de abril.
Também anunciou controles de exportação de terras raras, incluindo o gadolínio, utilizado para a ressonância magnética, e o ítrio, usado na eletrônica.
"A China se equivocou, entrou em pânico. A única coisa que não podiam se permitir fazer", escreveu Trump em letras maiúsculas na Truth Social.
O governo americano alertou a seus parceiros comerciais para que não realizem represálias contra suas tarifas, pois correm o risco de sofrer sobretaxas adicionais em suas exportações para os Estados Unidos.
A resposta da China aumentou os prejuízos nos mercados financeiros.
Bilhões de dólares em ações desapareceram. Os investidores estão deixando de lado as empresas que dependem muito das importações da Ásia, como o setor têxtil.
Mas o republicano se manteve inabalável diante dos efeitos de sua ofensiva comercial. "Para os muitos investidores que vêm aos Estados Unidos e investem enormes quantias, minhas políticas nunca mudarão. Esse é um grande momento para enriquecer. Ficar mais rico do que nunca!!!", publicou em letras maiúsculas, na Truth Social.
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central), Jerome Powell, alertou que as tarifas de Trump "provavelmente aumentarão a inflação" e podem elevar o desemprego e desacelerar o crescimento dos Estados Unidos.
Mas o presidente se mostrou relutante e disse que este é "o momento perfeito" para baixar as taxas de juros no país. É "muito cedo" para ajustar a política monetária, respondeu Powell.
Segundo a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, sigla em inglês), Rebeca Grynspan, o aumento das tarifas aduaneiras "atingirá mais duramente os vulneráveis e os pobres".
C.Meier--BTB