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Dezenas de mortos nos piores confrontos entre Índia e Paquistão em duas décadas
O conflito entre Índia e Paquistão se intensificou nesta quarta-feira (7) com bombardeios de Nova Délhi contra o país vizinho e disparos cruzados de artilharia na disputada região da Caxemira, que deixaram dezenas de mortos nos piores confrontos entre as duas potências nucleares em décadas.
As hostilidades explodiram após um atentado em 22 de abril em Pahalgam, na parte indiana da Caxemira, que causou 26 mortes. Nova Délhi responsabiliza Islamabad pelo ataque, o que é negado pelo governo paquistanês.
A Caxemira é uma região de maioria muçulmana dividida entre os dois países desde que se tornaram independentes do Reino Unido em 1947.
O atentado foi seguido por dias de disparos com armas leves na fronteira de fato entre os dois territórios, além de ameaças de uma ação militar indiana como retaliação.
Na noite de terça para quarta-feira, o governo indiano anunciou "ataques aéreos de precisão" na Caxemira paquistanesa e no estado fronteiriço de Punjab. A ação destruiu "nove acampamentos terroristas", segundo a Índia.
"A retaliação já começou", disse o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, à AFP. "Não demoraremos a igualar o placar", advertiu.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu o fim das hostilidades. "Quero que parem", declarou na Casa Branca.
Os mísseis indianos, que caíram em seis cidades da Caxemira paquistanesa e do Punjab, e os tiros de artilharia deixaram 31 mortos e 57 feridos, segundo o último balanço do Exército de Islamabad. O balanço anterior relatava 26 civis mortos.
Um porta-voz do Exército paquistanês explicou que o aumento no número de mortos se devia "aos disparos não provocados da Índia na linha de demarcação e às violações do cessar-fogo".
– "Vi que choviam projéteis" –
O ministro da Defesa da Índia, Rajnath Singh, insistiu que os "alvos" foram "destruídos com grande precisão" e assegurou que "a população civil [...] não foi afetada".
Seu homólogo paquistanês, Khawaja Asif, acusou, no entanto, o primeiro-ministro indiano, o nacionalista hindu Narendra Modi, de lançar esses ataques para "impulsionar" sua popularidade em seu próprio país, e afirmou que o Paquistão já respondeu aos ataques.
O porta-voz militar, Ahmed Chaudhry, assegurou que suas forças abateram cinco aviões de combate indianos e um drone no espaço aéreo da Índia.
Segundo Nova Délhi, ao menos 12 pessoas morreram e 38 ficaram feridas na localidade indiana de Poonch devido ao fogo de artilharia paquistanês.
"Acordamos ao ouvir o barulho dos tiros", disse Farooq, morador dessa cidade fronteiriça, à agência de notícias Press Trust of India.
"Vi que choviam projéteis", afirmou de seu leito hospitalar.
Já havia expectativa de uma resposta militar da Índia ao ataque de 22 de abril, que não foi reivindicado, mas que Nova Délhi atribui ao grupo jihadista Lashkar-e-Taiba (LeT), com base no Paquistão.
A organização, designada como terrorista pela ONU, é suspeita de atentados em 2008 em Mumbai que deixaram 166 mortos.
Pouco após os bombardeios, o Exército indiano acusou as forças rivais de lançarem fogo "indiscriminado" de artilharia ao longo da Linha de Controle, a fronteira de fato que divide a Caxemira.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que o ataque indiano foi "covarde" e "não provocado".
– Guerra da água –
Índia e Paquistão travaram várias guerras desde a partição e independência dos domínios britânicos no subcontinente indiano.
"O mundo não pode se permitir uma confrontação militar entre Índia e Paquistão", alertou Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.
O secretário britânico de Comércio, Jonathan Reynolds, ofereceu a mediação de seu país para apoiar uma aproximação entre os dois países.
Estados Unidos, União Europeia, Rússia e França também fizeram apelos à moderação.
A disputada região da Caxemira é cenário de uma insurgência desde 1989 por parte de rebeldes que desejam a independência ou a anexação ao Paquistão e que, segundo Nova Délhi, contam com apoio de Islamabad.
O conflito não se limita ao terreno militar. Horas antes dos bombardeios, Modi afirmou que sua administração iria interromper o fluxo de água de seus rios para o Paquistão. Islamabad respondeu que consideraria tal medida como "um ato de guerra".
burs-pa/jma/ybl/am/dbh-jvb-sag/am
H.Seidel--BTB