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Bombardeios russos contra Kiev matam 22 pessoas antes da reunião de cúpula da Otan
A Rússia lançou mísseis e drones nesta segunda-feira (6) contra prédios residenciais em Kiev e sua região pela segunda vez em uma semana, uma ofensiva que deixou pelo menos 22 mortos um dia antes do início de uma reunião de cúpula crucial da Otan na Turquia.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, fez um apelo aos países aliados a adotarem "decisões firmes" para aumentar o fornecimento de sistemas de defesa aérea à Ucrânia após o ataque, que aconteceu poucos dias após outro bombardeio russo matar mais de 30 pessoas em Kiev.
O ataque desta segunda-feira abriu uma cratera em um bloco de apartamentos de vários andares na capital ucraniana, destruindo os andares superiores. Durante a noite, jornalistas da AFP em Kiev ouviram mais de 10 explosões durante um alerta de mísseis balísticos.
Uma explosão atingiu o prédio onde mora Anna Misko, de 36 anos, no bairro de Pozniaki, zona leste da capital. "Tenho um filho e sempre descemos para o térreo", afirmou à AFP. Desta vez, ela disse que sobreviveu "por milagre", já que os primeiros andares do seu prédio foram destruídos.
Este foi o segundo ataque consecutivo em que a Rússia utilizou mísseis balísticos difíceis de interceptar, o que levou Zelensky a pedir novamente aos aliados mais mísseis para os sistemas de defesa aérea Patriot, de fabricação americana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zelensky devem conversar sobre a guerra iniciada em 2022 com a invasão russa, à margem da cúpula da Otan que começa na terça-feira em Ancara (Turquia).
"É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida", declarou Zelensky nas redes sociais.
Os ataques noturnos deixaram ao menos 15 mortos em Kiev e sete em Vyshneve, cidade nos arredores da capital, além de dezenas de feridos, segundo as autoridades.
Um jornalista da AFP viu, nesta segunda-feira, os serviços de resgate retirarem o corpo de uma vítima do oitavo andar de um prédio residencial em Kiev, enquanto os gritos de uma mulher ecoavam no pátio.
A Rússia lançou um total de 68 mísseis e 351 drones, de acordo com a Força Aérea ucraniana.
- "Todas as janelas voaram" -
Os habitantes do distrito de Podilski, zona norte da capital, viveram momentos de angústia.
"Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes", contou à AFP Oleksandr Bakhlukov, que mora em um prédio próximo. "Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento", acrescentou o homem de 68 anos.
Zelensky disse que o Exército ucraniano derrubou os drones e mísseis de cruzeiro russos, mas que dispõe de "um fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores" para deter os mísseis balísticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque demonstra que a Ucrânia precisa "com urgência" de mais defesa aérea e que a questão será abordada na reunião da Otan.
- Ucrânia ataca refinaria na Sibéria -
O Exército russo afirmou que suas forças também derrubaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite.
O Exército ucraniano afirmou nesta segunda-feira ter atacado a refinaria de Omsk, a cerca de 2.500 km das fronteiras da Ucrânia. Trata-se de uma das maiores refinarias do país e da mais distante atingida por Kiev desde o início do conflito.
O governador dessa região siberiana, Vitali Khotsenko, confirmou no Telegram que a instalação foi atacada e afirmou que o ataque não deixou vítimas.
A Rússia lança com frequência ondas de mísseis e drones contra as cidades ucranianas desde o início da invasão do país vizinho, em fevereiro de 2022.
O conflito entre Ucrânia e Rússia é o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
I.Meyer--BTB