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Direita chega como favorita às legislativas antecipadas em Portugal
Os portugueses vão às urnas no próximo domingo (18) para eleger um novo Parlamento pela terceira vez em três anos, com as pesquisas favorecendo a direita moderada do primeiro-ministro demissionário Luis Montenegro, que perdeu o cargo por suspeitas de conflito de interesses.
Sob a ameaça de uma comissão parlamentar de inquérito sobre as atividades de uma empresa de consultoria que, desde então, pôs no nome dos filhos, Montenegro apresentou em março uma moção de confiança que fracassou, abrindo o caminho para as eleições antecipadas.
Este jurista de 52 anos, que não dispunha de uma maioria estável no Legislativo, apostou em se submeter às urnas para garantir "sua sobrevivência política" e tentar reforçar sua base parlamentar, explica à AFP o cientista político Antonio Costa Pinto, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
"A relegitimação eleitoral foi uma decisão arriscada, mas com um risco calculado", afirma o analista, pois "ninguém desejava estas eleições", nem a oposição socialista, derrotada em março de 2024, nem a extrema direita, terceira força política do país.
Segundo dados de uma compilação de pesquisas da Rádio Renascença, a Aliança Democrática (AD), de Luis Montenegro, conta com 32% das intenções de votos, contra 26,7% para o Partido Socialista (PS), de Pedro Nuno Santos, um economista de 48 anos.
- "Coalizão negativa" -
O partido populista e antissistema Chega, fundado em 2019 por André Ventura, um ex-comentarista de futebol de 42 anos, poderia obter 17,9% dos votos, levemente abaixo do resultado obtido no ano passado.
Durante a campanha eleitoral que terminará na próxima sexta-feira, Montenegro reafirmou sua recusa a governar com o apoio da extrema direita.
"Mais uma vez, a Aliança Democrática parece destinada a não alcançar seu objetivo de obter uma maioria absoluta", resume a analista Corinne Deloy em nota publicada pela Fundação Robert Schuman.
No entanto, algumas pesquisas abrem um cenário no qual o primeiro-ministro em fim de mandato poderia formar uma maioria estável com a ajuda do partido Iniciativa Liberal, que tem, em média, 6,3% das intenções de votos.
O presidente da República, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, já advertiu que não vai nomear um governo que "não tenha nenhuma possibilidade de contar com o apoio do Parlamento".
"Chegamos aqui porque foi formada uma coalizão negativa entre os socialistas e o Chega para derrubar o governo. Concentrem-se em votar a favor da AD para devolver a estabilidade ao país", pediu Montenegro durante a campanha.
- Política migratória -
Segundo seu adversário socialista, é o chefe do governo em fim de mandato que constitui "o principal fator de instabilidade política", devido às suspeitas que pairam sobre ele sobre o possível conflito de interesses.
De acordo com o cientista político Costa Pinto, a maioria dos eleitores não se interessa "particularmente no tema, pois não se trata de um caso evidente de corrupção política com intervenção do sistema judiciário".
E embora a polêmica tenha podido alimentar a retórica antissistema do Chega, o jovem partido também precisou gerenciar vários assuntos embaraçosos em suas próprias fileiras.
Montenegro espera ter ganhado pontos durante seu breve mandato, ao ter revalorizado as aposentadorias, aumentado os salários de várias categorias de funcionários públicos e endurecido a política migratória do país, que viu quadruplicar sua população estrangeira desde 2017, alcançando agora aproximadamente 15% de seus habitantes.
O governo tem sido acusado pela esquerda de tentar seduzir o eleitorado da extrema direita, ao anunciar em plena campanha a expulsão de 18.000 imigrantes em situação irregular.
A imigração "entrou com força na campanha, com uma possibilidade de ganhos para a Aliança Democrática, na medida em que reduziu a capacidade do Chega de se apropriar do tema", avalia Filipa Raimundo, professora de Ciências Políticas no Instituto Universitário de Lisboa.
G.Schulte--BTB