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Rússia rejeita qualquer 'ultimato' sobre pressão para uma trégua na Ucrânia
O Kremlin rejeitou, nesta segunda-feira (12), os "ultimatos" de Kiev e seus aliados europeus para que Moscou aceitasse uma trégua de 30 dias na Ucrânia, e não respondeu à proposta de Volodimir Zelensky para uma reunião com Vladimir Putin nesta semana.
"A linguagem dos ultimatos é inaceitável para a Rússia, não é apropriada. Não se pode falar assim com a Rússia", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, durante sua coletiva de imprensa diária.
Peskov garantiu posteriormente que Moscou deseja manter negociações "sérias" que levem à uma paz duradoura, mas não reagiu à oferta do presidente ucraniano para se reunir com Putin em Istambul na quinta-feira.
No sábado, Kiev e seus aliados pediram um cessar-fogo "abrangente e incondicional" de 30 dias a partir desta segunda-feira, o que eles consideram uma pré-condição para iniciar negociações de paz diretas.
"Deve haver um cessar-fogo", insistiu a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas. "São necessários dois para desejar a paz e apenas um para desejar a guerra. Estamos vendo que a Rússia claramente quer a guerra".
Segundo o presidente da França, Emmanuel Macron, uma reunião sobre essa proposta de trégua está prevista para a tarde desta segunda-feira entre os líderes ucranianos e europeus.
Paralelamente, os ataques noturnos de drones russos contra a Ucrânia continuaram, como acontece quase diariamente desde o início da invasão em fevereiro de 2022.
Autoridades ucranianas disseram nesta segunda que uma pessoa foi morta e outras três ficaram feridas quando um drone atacou um veículo em Sumy, no nordeste do país.
Na região de Kherson (sul), ocupada por Moscou, quatro civis foram mortos na localidade de Chelburda por ataques de drones ucranianos, disse Vladimir Saldo, uma autoridade local nomeada pela Rússia, na segunda-feira.
- Aceleração diplomática -
Na frente diplomática, os acontecimentos se aceleraram nos últimos dias. Kiev e seus aliados europeus, juntamente com os Estados Unidos, exigiram um cessar-fogo de 30 dias, ameaçando "sanções maciças" em caso de uma negativa.
O presidente russo ignorou o ultimato, propondo negociações "diretas" e "sem condições prévias" entre Moscou e Kiev, a partir de quinta-feira na Turquia.
Estas seriam as primeiras conversas entre russos e ucranianos desde março de 2022, quando os dois lados se reuniram em Istambul para encerrar o conflito, sem chegar a um acordo.
Zelensky respondeu convidando Vladimir Putin a se encontrar com ele "pessoalmente" na quinta-feira em Istambul. Até o momento, não houve resposta do Kremlin.
Para o cientista político ucraniano Volodimir Fesenko, o convite é uma manobra "tática" para tentar colocar Putin em uma posição difícil no processo de negociação.
"Se Putin rejeitar (esse convite), significa que ele não quer negociar e pode sair como um perdedor aos olhos de Trump", diz Fesenko, que considera o presidente americano como "a principal força motriz" nestas negociações.
A China, principal aliada da Rússia, pediu na segunda-feira um acordo de paz "duradouro e vinculante" que seja "aceitável para todas as partes".
- "Raízes profundas" -
Dezenas de milhares de pessoas morreram e milhões foram forçadas a fugir de suas casas desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.
O Exército russo controla cerca de um quinto do país, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Putin disse que qualquer conversa direta com a Ucrânia deve se concentrar nas "raízes profundas" do conflito e declarou que não "exclui" um possível cessar-fogo como resultado das negociações de Istambul.
As referências russas às "raízes do conflito" na Ucrânia muitas vezes implicam uma ampla gama de queixas contra Kiev e o Ocidente, frequentemente usadas para justificar o lançamento da ofensiva há mais de três anos.
Algumas delas incluem a suposta necessidade de "desnazificar" a Ucrânia, proteger os falantes de russo no leste do país, a expansão da Otan para as fronteiras da Rússia e a guinada geopolítica de Kiev para o Ocidente.
Kiev e o Ocidente rejeitam todas essas alegações e afirmam que a invasão russa nada mais é do que uma apropriação de terras imperialista.
L.Dubois--BTB