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Ceticismo paira sobre resultados das conversas entre Ucrânia e Rússia na Turquia
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, acusou a Rússia de não "levar a sério" as primeiras negociações de paz diretas em três anos entre os dois países organizadas em Istambul, na Turquia, sobre as quais os Estados Unidos também se mostraram céticos.
As duas partes beligerantes enviaram nesta quinta-feira (15) delegações à cidade turca, a de Moscou liderada por um assessor do presidente Vladimir Putin e a de Kiev dirigida pelo ministro da Defesa, mas os contatos diretos só vão começar nesta sexta-feira.
O diálogo consistirá em reuniões trilaterais distintas, primeiro entre Ucrânia, Turquia e Estados Unidos, e depois entre as duas primeiras e a representação russa, afirmou uma fonte do Ministério das Relações Exteriores turco.
Mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem mediado entre as duas partes, estimou que não se produzirá nenhum avanço nas conversas de paz até que ele e seu par russo, Vladimir Putin, se reúnam.
"Vou ser franco, não creio que tenhamos grandes expectativas sobre o que acontecerá amanhã", declarou na mesma linha seu secretário de Estado, Marco Rubio.
"Espero estar enganado. Espero que façam enormes progressos amanhã", acrescentou. "Mas não acredito, francamente, que tenhamos um avanço até que o presidente Trump sente-se com o presidente Putin e determine quais são suas intenções para o futuro", disse Rubio.
Estas serão as primeiras negociações de paz diretas entre Kiev e Moscou desde março de 2022, no início da invasão russa da Ucrânia.
A delegação russa chegou a Istambul pela manhã, sem o presidente russo e liderada por seu assessor, Vladimir Medinsky.
Este último se disse disposto a assumir "possíveis compromissos", sem dar detalhes, e explicou que sua delegação tinha "todas as prerrogativas" para tomar decisões durante as negociações, o que Zelensky havia colocado em dúvida.
Os negociadores de Kiev, chefiados pelo ministro da Defesa, Rustem Umierov, terão um "mandato de cessar-fogo", destacou o presidente ucraniano.
Russos e ucranianos trocaram ofensas nesta quinta-feira — Zelensky qualificou de "pura fachada" a delegação russa que viajou a Istambul e Moscou respondeu o chamando de "palhaço" —, o que semeia dúvidas sobre se serão alcançados avanços para pôr fim a um conflito que já deixou dezenas de milhares de mortos.
Medinsky disse que vai esperar pela delegação ucraniana na sexta-feira a partir das 10h00 locais (04h00 de Brasília).
- Nem Putin, nem Zelensky -
Apesar da importância destas negociações, solicitadas por ele próprio, e do pedido de Zelensky de diálogos cara a cara, Putin "não tem previsto no momento" viajar para a Turquia, segundo seu porta-voz, Dmitry Peskov.
Vladimir Medinsky, seu representante, já participou das negociações infrutíferas de 2022 e é conhecido por sua leitura nacionalista da história russa. Em 2023, ele declarou que a Ucrânia fazia "parte da terra russa".
Em sua chegada a Ancara, onde se reuniu com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Zelensky criticou a delegação russa, qualificando-a de "pura fachada" e questionou sua capacidade de "tomar decisões".
Minutos depois, a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, respondeu: "Quem usa as palavras 'pura fachada'? Um palhaço? Um fracassado?", ironizou.
Após a reunião com Erdogan, Zelensky disse que seguia "disposto" a manter "conversas diretas" com Putin, mas considerou que sua ausência era "uma falta de respeito" com Trump e Erdogan.
- 'Nada vai acontecer' -
Em um comunicado prévio a uma cúpula europeia na sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, assegurou que Putin "deve pagar o preço por impedir a paz".
"As táticas de Putin para titubear e atrasar, enquanto continua matando e derramando sangue na Ucrânia, são intoleráveis", afirmou Starmer, que insistiu em exigir um "cessar-fogo total e incondicional".
Trump, por sua vez, se ofereceu novamente para viajar à Turquia se as conversas proporcionarem avanços. Seu secretário de Estado insistiu em que o presidente está "aberto" a "qualquer mecanismo" que possa trazer a paz.
Mas Rússia e Ucrânia seguem tendo posições difíceis de conciliar.
Moscou exige que a Ucrânia renuncie a aderir à Otan e a garantia de poder manter os territórios ucranianos anexados, condições inaceitáveis para Kiev e seus aliados.
A Ucrânia quer, por sua vez, "garantias de segurança" ocidentais sólidas para evitar novos ataques russos e que o Exército de Moscou, que controla cerca de 20% do território ucraniano, se retire.
F.Müller--BTB