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Agências da ONU pedem que Gaza seja 'inundada' com ajuda alimentar para aliviar a fome
As agências da ONU pediram, nesta terça-feira (29), que a Faixa de Gaza seja “inundada” com ajuda alimentar. Ameaçado pela fome, o território palestino já tem mais de 60 mil mortos pela guerra com Israel, segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas.
Israel anunciou cessar-fogos parciais durante o dia e autorizou a entrada de caminhões com ajuda, mas as organizações internacionais consideram que essas permissões são insuficientes frente às necessidades da população, que ficou submetida a um bloqueio por quase dois meses.
"Precisamos inundar Gaza com ajuda alimentar em larga escala, de forma imediata e sem obstáculos, e assim continuar todos os dias para evitar a fome em massa", afirmou a diretora do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Cindy McCain, em uma declaração conjunta com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização para Alimentação e Agricultura (FAO).
Apesar da pausa nos combates, a Defesa Civil relatou nesta terça-feira 30 mortes, incluindo 12 crianças, em bombardeios israelenses durante a noite no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza.
"Não ouvimos o barulho do míssil e, de repente, a casa desabou. Os corpos voavam e as pessoas gritavam", contou entre os escombros a palestina Um Saleh Badr. "Não queremos ajuda, queremos estar em paz. Não quero ser a mãe, a irmã ou a esposa de um mártir."
A Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC) - uma autoridade neste assunto que conta com o apoio da ONU e várias organizações humanitárias - afirmou que a crise neste território de 365 km², onde vivem cerca de dois milhões de palestinos, atingiu "um ponto alarmante e mortal".
- 16 crianças mortas -
"Mais de 20 mil crianças foram atendidas por desnutrição aguda entre abril e meados de julho" e os hospitais relataram pelo menos 16 mortes de crianças menores de cinco anos desde 17 de julho, acrescenta o relatório deste organismo.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU afirmou nesta terça-feira que a crise em Gaza lembra as fomes vistas na Etiópia e em Biafra, Nigéria, no século XX, e "não se parece com nada que tenhamos visto neste século".
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o movimento islamista palestino Hamas de falsificar os balanços e saquear a ajuda alimentar.
"Já permitimos que entrem em Gaza diariamente significativas quantidades de ajuda humanitária [...]. Infelizmente, o Hamas [...] roubou a ajuda destinada à população, muitas vezes disparando contra palestinos", declarou.
Por outro lado, o relatório da IPC assegurou que o lançamento aéreo de alimentos recentemente autorizado por Israel "não será suficiente para reverter a catástrofe humanitária".
O Reino Unido realizou nesta terça-feira seus primeiros lançamentos de ajuda "no valor de cerca de meio milhão de libras" (3,72 milhões de reais, na cotação atual).
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que seu país reconhecerá o Estado da Palestina em setembro, a menos que Israel adote diversas "medidas substanciais" em Gaza, incluindo o acordo de um cessar-fogo.
Alemanha, França e Reino Unido podem enviar na próxima semana seus ministros das Relações Exteriores a Israel, segundo o chefe de Governo alemão, Friedrich Merz.
"Partimos do princípio de que o governo israelense está totalmente disposto a reconhecer que agora é hora de agir", afirmou o chanceler.
Enquanto isso, Israel disse que na segunda-feira mais de 200 caminhões de ajuda foram distribuídos pela ONU e por agências humanitárias.
Além disso, outros 260 caminhões foram autorizados a cruzar para Gaza, quatro tanques da ONU levaram combustível e 20 paletes de ajuda foram lançados de aviões jordanianos e emiradenses, segundo a mesma fonte.
- Mais de 60 mil mortos -
Israel, que controla todos os acessos a Gaza, impôs no início de março um bloqueio total à entrada de ajuda humanitária, que só foi suspenso quase dois meses depois.
Diante da forte pressão internacional, no domingo anunciou uma pausa nas hostilidades durante o dia e em algumas zonas, com fins humanitários, sem especificar sua duração.
A guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque do Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, que causou do lado israelense a morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um levantamento baseado em dados oficiais.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que deixou mais de 60 mil mortos na Faixa, a maioria civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde do território, considerados confiáveis pela ONU.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rejeitou a pressão internacional por um cessar-fogo, classificando-a como uma "campanha distorcida".
O.Bulka--BTB