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Plano de Israel para controlar Cidade de Gaza pode provocar 'outra calamidade' (ONU)
Um alto funcionário da ONU alertou, neste domingo (10), que o plano de Israel para tomar o controle da Cidade de Gaza "provavelmente desencadeara outra calamidade" com consequências para além do território sitiado.
"Se estes planos forem implementados, provavelmente desencadearão outra calamidade em Gaza, reverberando por toda a região e provocando mais deslocamentos forçados, assassinatos e destruição", disse Miroslav Jenca, secretário-geral adjunto da ONU, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O Conselho de Segurança da ONU realiza, neste domingo (10), uma reunião de emergência para abordar o plano de Israel, criticado por muitos países e considerado uma "escalada perigosa" pelo secretário-geral da organização, António Guterres.
O embaixador da Eslovênia na ONU, Samuel Zbogar, que falou em nome dos cinco membros europeus do Conselho de Segurança antes da reunião, disse que "esta decisão do governo israelense não fará nada para assegurar o retorno dos reféns [em poder da organização islamista palestina Hamas] e corre o risco de pôr suas vidas ainda mais em perigo".
"Também agravará a já catastrófica situação humanitária em Gaza e corre o risco de causar mais mortes e deslocamentos maciços de civis palestinos", acrescentou.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou, neste domingo, que o plano aprovado recentemente pelo gabinete de segurança de seu país é "a melhor forma de acabar com a guerra".
"Esta é a melhor forma de acabar com a guerra e a melhor forma de terminá-la rápido", afirmou o premiê, acrescentando que o objetivo do plano "não é ocupar Gaza".
O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, disse na sexta-feira que "esta escalada por parte do governo israelense está em total contradição com a vontade da comunidade internacional".
Antes do encontro, o embaixador israelense na ONU, Danny Danon, advertiu que "Israel não cessará a luta pela libertação de todos os reféns".
O ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, causou a morte de 1.219 pessoas do lado israelense, civis em sua maioria, segundo um balanço da AFP realizado com base em dados oficiais.
A operação de retaliação israelense em Gaza já deixou 61.369 mortos, em sua maioria civis, mulheres e crianças, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
H.Seidel--BTB