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Potências europeias afirmam estar dispostas a retomar sanções contra o Irã
Alemanha, França e Reino Unido afirmaram à ONU que estão dispostos a retomar as sanções contra o Irã se uma solução negociada para o programa nuclear de Teerã não for alcançada até o final de agosto, segundo uma carta conjunta obtida pela AFP.
Na carta dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres, as três potências europeias destacam que, "se o Irã não desejar alcançar uma solução diplomática até o final de agosto" ou "não aproveitar a oportunidade de uma prorrogação", estão "dispostas a ativar o mecanismo" que permitirá restabelecer todas as sanções internacionais contra Teerã.
Ao mesmo tempo, os ministros das Relações Exteriores da Alemanha (Johann Wadephul), da França (Jean-Noel Barrot) e do Reino Unido (David Lammy) se declaram "plenamente comprometidos com uma solução diplomática para a crise".
Os três países, que formam o grupo conhecido como E3, intensificaram as advertências ao Irã sobre a suspensão de sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o organismo da ONU de supervisão nuclear.
A carta foi enviada dois meses após os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra áreas nucleares no Irã, o que encerrou as negociações entre Teerã e Washington e as conversações com os três países europeus.
Após essa guerra de 12 dias, o Irã suspendeu a cooperação com a AIEA, que já era limitada.
Mas o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, anunciou no domingo que um diretor-geral adjunto da AIEA visitaria Teerã na segunda-feira para discutir uma nova possível cooperação.
- Legitimidade questionada -
Araqchi enviou em julho uma mensagem à ONU na qual afirmou que os três países europeus não tinham legitimidade para ativar o mecanismo de sanções.
Em resposta, os três ministros escreveram na carta enviada na terça-feira que as afirmações são "infundadas".
Alemanha, França e Reino Unido, ao lado de China, Estados Unidos e Rússia, são signatários de um acordo sobre o programa nuclear negociado com o Irã em 2015, que previa restrições ao programa atômico em troca de uma retirada gradual das sanções da ONU.
O governo dos Estados Unidos se retirou unilateralmente do acordo em 2018, durante o primeiro governo de Donald Trump, e retomou as sanções, mas os três países europeus permaneceram comprometidos com o tratado.
Na carta, os ministros enumeram uma lista "não exaustiva" dos compromissos nucleares assumidos no acordo de 2015 que "o Irã não cumpriu", incluindo o acúmulo de urânio enriquecido em um nível "mais de 40 vezes" superior ao limite permitido no tratado.
Contudo, o texto afirma que "o E3 permanece plenamente comprometido com uma resolução diplomática para a crise causada pelo programa nuclear iraniano".
A carta, inicialmente publicada pelo jornal Financial Times, explica, no entanto, que os países estão igualmente preparados para notificar as violações iranianas do acordo de 2015 e ativar o mecanismo de sanções "se não for alcançada uma solução satisfatória até o final de agosto de 2025".
D.Schneider--BTB