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Colômbia anuncia ofensiva militar para conter onda de violência
A Colômbia anunciou uma ofensiva militar para reprimir os grupos guerrilheiros responsáveis por dois ataques brutais ocorridos ontem, que deixaram 19 mortos e mergulharam o país na pior crise de violência em uma década.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, visitou nesta sexta-feira (22) a área próxima a uma escola de aviação militar onde morreram ontem 6 civis e mais de 60 pessoas ficaram feridas na explosão de um caminhão-bomba, em Cali, terceira cidade mais populosa do país. Sem dar detalhes, o chefe da pasta anunciou uma operação para proteger a região "do crime e do terrorismo".
Na manhã de ontem, guerrilheiros derrubaram um helicóptero e enfrentaram policiais em um ataque com fuzis e um drone carregado de explosivos que matou 13 policiais em uma zona rural do departamento de Antioquia. Horas depois, um caminhão carregado de explosivos foi detonado diante de uma base aérea militar em Cali.
Autoridades atribuem os ataques a duas dissidências das Farc que rejeitaram o acordo de paz assinado em 2016 com a maior parte do grupo guerrilheiro.
Sánchez afirmou que, em cinco áreas de atuação desses grupos, a extorsão, os assassinatos e o recrutamento de crianças diminuíram, o que "os levou ao desespero de afetar com a arma mais criminosa e insana que pode existir, que é o terrorismo".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou hoje de uma reunião de cúpula na Colômbia, expressou condolências: "Nossos corações estão com as vítimas dos ataques."
- 'Erro de inteligência' -
"Estamos enfrentando uma máfia internacional com grupos armados aqui", afirmou o presidente Gustavo Petro, após se reunir com a cúpula militar em Cali por volta da meia-noite de ontem.
O primeiro líder de esquerda da Colômbia enfrenta cada vez mais críticas devido ao aumento da violência e à sua estratégia de priorizar o diálogo com os grupos armados, em vez de declarar uma guerra contra eles.
O prefeito de Cali reconheceu na Rádio Blu "um erro de inteligência que precisa ser corrigido". No local do ataque, havia outro caminhão carregado de explosivos, que não foi detonado. Caso contrário, "a situação teria sido infinitamente pior", ressaltou.
O Ministério Público informou que houve duas prisões relacionadas com o ataque. Um dos detidos foi "capturado pela comunidade, no local dos fatos", informou Petro. Conhecido como Sebastián, ele é apontado por autoridades como membro do maior grupo dissidente das extintas Farc, o EMC, comandado por Iván Mordisco.
- Eleições -
O acordo de paz assinado com as Farc em 2016 trouxe tranquilidade ao país, após décadas de conflito armado, mas também deixou um vazio de poder nos territórios, aproveitado por grupos guerrilheiros dissidentes, paramilitares e cartéis que lucram com o narcotráfico, a extorsão e a mineração ilegal.
As dissidências foram acusadas de dezenas de ataques recentes, incluindo o assassinato do senador de direita e pré-candidato à Presidência Miguel Uribe, cujo pai, de mesmo nome, anunciou hoje que será candidato da direita nas eleições, que devem ser marcadas pelo tema da segurança.
"As guerrilhas buscam colocar o governo nacional contra as cordas e gerar um ambiente de preocupação que tem muito a ver com as eleições de 2026", indicou Laura Bonilla, vice-diretora da fundação Paz e Reconciliação.
Em maio de 2026, a Colômbia vai eleger o substituto de Petro, impedido por lei de se candidatar novamente. Durante o seu mandato, a produção de cocaína na Colômbia atingiu níveis recorde, segundo a ONU.
G.Schulte--BTB