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Dividido e sem investigação oficial, Israel recorda os mil dias do ataque do Hamas
Israel recorda, nesta quinta-feira (2), o milésimo dia desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, em meio a persistentes divisões internas e à contínua rejeição, por parte do governo de Benjamin Netanyahu, aos apelos pela criação de uma comissão estatal de inquérito.
Uma série de eventos e protestos contra a condução do governo em relação ao ataque e aos meses subsequentes está programada para ocorrer em todo o país.
A primeira cerimônia aconteceu às 6h29 (0h29 de Brasília), o horário exato em que o movimento islamista palestino lançou o ataque contra Israel que desencadeou a guerra em Gaza.
O ataque deixou 1.221 mortos, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais de Israel. Além disso, o Hamas levou 251 reféns para Gaza.
"O que mais pesa para mim é que, mesmo mil dias depois, continuamos presos a essa situação, e as medidas necessárias para avançar não foram tomadas", disse à AFP Dina Hertz, moradora de Jerusalém.
"Refiro-me a uma verdadeira comissão de investigação, à responsabilização e ao aprendizado de lições concretas e que aqueles que estavam no comando em 7 de outubro demonstrem um sentimento real de vergonha e dor", acrescentou.
A ofensiva de retaliação de Israel em Gaza deixou mais de 73.000 mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do governo liderado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
Bairros inteiros no enclave palestino foram devastados, deixando casas, hospitais, escolas e redes de abastecimento de água em ruínas. Para sobreviver, a grande maioria dos dois milhões de habitantes de Gaza teve que se deslocar várias vezes ao longo dos dois anos de conflito, em meio a uma enorme crise humanitária.
As forças israelenses ocupam atualmente quase 70% do território da Faixa, segundo autoridades locais.
Desde que um cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro do ano passado, pelo menos 1.053 palestinos morreram em Gaza, segundo a mesma fonte. No mesmo período, o Exército israelense relatou a morte de cinco soldados e de um prestador de serviços.
- Comissão de investigação -
A Praça dos Reféns de Tel Aviv, que se tornou um símbolo fundamental da campanha pela libertação dos reféns durante a guerra em Gaza, será renomeada como "Praça da Memória".
Um evento também está agendado para as 20h00 no Parque Yarkon, em Tel Aviv, com a presença de familiares das vítimas e figuras proeminentes do movimento de protesto que questiona as autoridades israelenses e sua gestão da crise.
O "Comitê de Outubro", uma organização fundada pelas famílias das vítimas e reféns do 7 de outubro, pediu no X a criação imediata de uma comissão estatal de investigação.
Pesquisas indicam que a grande maioria dos israelenses, de todo o espectro político, apoia a criação de um órgão para determinar a responsabilidade das autoridades pela falha em impedir o ataque do Hamas.
No entanto, o governo de Benjamin Netanyahu tem se recusado repetidamente a criar essa comissão, embora Israel já tenha utilizado esse mecanismo no passado para investigar graves falhas do Estado.
Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército e um dos principais candidatos a suceder Netanyahu nas eleições de outubro, relembrou a data com uma breve mensagem no X.
"1.000 dias. Provaremos que estamos à altura. Eu prometo", escreveu.
Netanyahu, o chefe de Governo que ocupou o cargo por mais tempo na história do Estado de Israel, tem enfrentado duras críticas na imprensa local. Ele é acusado de reescrever a história ao afirmar, por exemplo, que garantiu o retorno de "todos os nossos reféns", sem especificar que 42 deles morreram em Gaza.
Uma pesquisa recente mostrou que a maioria dos israelenses quer que ele deixe o cargo.
M.Furrer--BTB