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França nomeia novo governo em meio a impasse político
A França apresentou neste domingo seu novo governo, quase um mês após a nomeação de Sébastien Lecornu como primeiro-ministro.
Assim como seus antecessores, Lecornu corre o risco de ser derrubado no Parlamento, por não conseguir atrair a oposição. Os principais desafios desse político de centro-direita são a aprovação do orçamento para 2026 e a redução da dívida pública, que já custaram o emprego de seus antecessores Michel Barnier (conservador) e François Bayrou (centro).
Depois de quase um mês de negociações, Lecornu, um homem de confiança do presidente Emmanuel Macron, revelou parte do seu governo, que mantém ministros-chave, como Jean-Noël Barrot (Relações Exteriores), Bruno Retailleau (Interior) e Élisabeth Borne (Educação).
Lecornu resgatou ex-ministros macronistas, como Bruno Le Maire para a pasta da Defesa e Roland Lescure para o Ministério de Economia e Finanças. Outra novidade é o retorno de Éric Woerth ao governo, dias após a Justiça absolvê-lo em um caso de financiamento ilegal que levará à prisão do ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy.
Após as 18 nomeações deste domingo, o primeiro-ministro, 39, completará seu governo após fazer na próxima terça-feira seu primeiro Discurso de Política Geral no Parlamento, no qual vai apresentar seu programa.
Em carta a seus parceiros de coalizão, Lecornu antecipou os principais pontos: redução dos gastos públicos, uma lei para combater a fraude fiscal e na asistência social, e o combate à imigração ilegal por meio de "soluções técnicas e eficazes", entre outros.
A dúvida é se o novo governo sobreviverá no Parlamento, onde as eleições legislativas de 2024 deixaram três grandes blocos sem maiorias claras: a esquerda, a centro-direita governante e a extrema direita.
O premier pediu aos ministros nomeados hoje que sejam "negociadores" e "alcancem compromissos com todos os parlamentares", segundo seu entorno. Seu principal objetivo será obter um orçamento até o fim do ano.
Embora Lecornu tenha prometido "rupturas" em relação a seus antecessores, os anúncios feitos até agora não convenceram nem a oposição de esquerda, que ameaça votar uma moção de censura, nem a extrema direita.
"A eleição desse governo idêntico, favorável ao homem que levou a França à falência, é patética", reagiu a líder de extrema direita Marine Le Pen, em uma crítica indireta a Bruno Le Maire.
Para garantir a sua estabilidade, o primeiro-ministro priorizou as negociações com o opositor Partido Socialista, mas já negou suas principais reivindicações: um imposto de 2% sobre o patrimônio dos ultrarricos e a reversão da impopular reforma previdenciária de 2023.
Uma queda de Lecornu agravaria a crise política na França, em um contexto de protestos promovidos por sindicatos para exigir “justiça fiscal” e de pressão nos mercados pelo alto nível de endividamento do país (115,6% do PIB).
Seu antecessor caiu quando buscava apoio no Parlamento para sua proposta de orçamento para 2026, que incluía cortes de € 44 bilhões e a exclusão de dois feriados.
burs-tjc/pc/lb
M.Ouellet--BTB