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Governo envia militares a Lima por onda de insegurança
Os militares saíram às ruas de Lima nesta quarta-feira (22) após a declaração de estado de emergência devido à onda de criminalidade, em meio ao ceticismo generalizado da população em relação a esse tipo de medida, constatou a AFP.
O governo interino do direitista José Jerí declarou a medida na noite de terça-feira, que permite restringir direitos como reuniões ou mobilidade em motos e contempla a militarização das ruas de Lima.
O decreto vigorará, em princípio, por 30 dias em Lima e no porto vizinho de Callao.
"Já tivemos isso antes (...) e o estado de emergência não ajudou em nada", disse à AFP Katrina, uma advogada de 46 anos que pediu para manter seu sobrenome em sigilo, sobre a declaração que abrange cerca de 10 milhões de pessoas.
"Precisamos de outras medidas", acrescentou enquanto caminhava por uma rua de Miraflores, o distrito turístico de Lima.
Os peruanos enfrentam uma grave crise de segurança devido ao crime organizado, que desencadeou múltiplos protestos.
As mobilizações foram lideradas pela Geração Z, um coletivo de jovens entre 18 e 30 anos, em repúdio ao Congresso e ao governo de direita recém-instalado de José Jerí, que substituiu a destituída Dina Boluarte.
A mandatária foi removida após um julgamento político expresso em 10 de outubro devido à crise de segurança.
A violência gerou um descontentamento entre a população que culminou em protestos massivos em 15 de outubro, com um morto e centenas de feridos.
"A todo momento nos sentimos ameaçados. Não sabemos se vamos voltar para casa", disse a dona de casa Lidia Osorio, de 50 anos.
Ela afirma que não se sente segura com a polícia nem com os militares devido à "corrupção".
Entre março e julho, vigorou o estado de emergência na capital e no porto de Callao, mas não conseguiu reverter a curva de insegurança.
Alguns moradores de Lima, como Osorio, anseiam pela mão dura de governos como o de Nayib Bukele em El Salvador, apesar de organizações humanitárias o criticarem por sua tendência autoritária e abuso dos direitos humanos.
Para o estudante Daniel Ayala, de 21 anos, a chegada de Bukele à presidência foi um "gol de placa" para o país centro-americano.
As denúncias de extorsão no Peru passaram de 2.396 em 2023 para mais de 17.000 em 2024. Lima liderou o registro, segundo dados oficiais.
P.Anderson--BTB