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O que se sabe sobre a saída de María Corina Machado da Venezuela
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, chegou a Oslo na manhã desta quinta-feira (11), em sua primeira aparição pública em quase um ano depois de ter saído clandestinamente da Venezuela.
Poucos detalhes foram divulgados sobre a viagem, durante a qual, segundo ela, "tantas pessoas arriscaram suas vidas" para que ela pudesse deixar o país. Aqui está o que se sabe sobre sua saída da Venezuela e sua possível intenção de retornar.
- Incerteza até o final
No sábado, 6 de novembro, o Instituto Nobel anunciou à AFP que a líder da oposição venezuelana viajaria a Oslo para receber seu prêmio Nobel.
No entanto, a coletiva de imprensa da laureada, marcada para terça-feira, 9 de dezembro, véspera da cerimônia de premiação, foi adiada e posteriormente cancelada.
"Simplesmente não sei exatamente onde ela está", admitiu o diretor do Instituto Nobel, Kristian Berg Harpviken, na quarta-feira.
Poucas horas antes da cerimônia, o instituto anunciou que Machado não estaria presente e que sua filha, Ana Corina, receberia o prêmio em seu lugar.
O instituto especificou, porém, que ela chegaria a Oslo após fazer "uma viagem em circunstâncias extremamente perigosas".
A laureada apareceu em público pela primeira vez nesta quinta-feira, na varanda do Grand Hotel em Oslo, pouco depois das 2h00 da manhã (22h00 de quarta-feira, horário de Brasília). Ela foi ovacionada por vários minutos por dezenas de apoiadores eufóricos.
Sua última aparição pública foi em 9 de janeiro, em Caracas, durante uma manifestação contra a posse do presidente de esquerda Nicolás Maduro para seu terceiro mandato.
- Como saiu da Venezuela?
A líder da oposição venezuelana afirmou nesta quinta-feira que recebeu "ajuda do governo dos Estados Unidos" para deixar o país.
Machado entrou na clandestinidade após as eleições presidenciais de julho de 2024, que deram a Nicolás Maduro um terceiro mandato. Os resultados não foram reconhecidos pelos Estados Unidos, pela União Europeia nem por diversos países da América Latina.
Segundo o Wall Street Journal (WSJ), ela usava peruca e disfarce quando iniciou sua viagem na tarde de segunda-feira.
Primeiro, precisou viajar dos arredores de Caracas, onde estava escondida há um ano, até uma vila de pescadores.
Duas pessoas a ajudaram a escapar e o pequeno grupo passou por dez postos de controle militar, evitando a captura em todos eles, antes de chegar à costa venezuelana por volta da meia-noite, de acordo com o jornal.
Na terça-feira, ela fez uma perigosa travessia pelo Mar do Caribe até a ilha de Curaçao. Segundo o WSJ, as forças armadas dos EUA foram notificadas da viagem para evitar que a embarcação fosse alvo de ataques.
Machado chegou a Curaçao por volta das 15h00 de terça-feira. Ela foi recebida por um empresário do setor privado especializado nesse tipo de operação, que a atendeu a pedido do governo Trump, segundo o jornal americano.
Após algumas horas de descanso, ela embarcou em um voo particular para Oslo na manhã de quarta-feira. Chegou sem bagagem, apenas com a roupa do corpo. "Nem tive tempo de tomar banho", contou à BBC.
- Voltará para a Venezuela?
"Não direi quando ou como isso acontecerá, mas farei todo o possível para poder retornar e também para pôr fim a essa tirania muito em breve", declarou a líder da oposição, de 58 anos, em inglês.
Machado não especificou como pretende retornar ao seu país. No mês passado, o procurador-geral da Venezuela disse à AFP que Machado seria considerada "foragida" caso deixasse o país, onde é acusada de "atos de conspiração, incitação ao ódio e terrorismo".
Estar na oposição na Venezuela e desafiar o poder do presidente Nicolás Maduro é "muito perigoso", afirmou ela.
Elogiada por seus esforços em prol da democracia na Venezuela, seus adversários criticam sua afinidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem dedicou seu Nobel.
Maduro acusa Washington de querer derrubá-lo para tomar o petróleo de seu país.
C.Kovalenko--BTB